A palavra “valores” costuma aparecer em meio às conversações sobre ética, família, educação e sociedade. Ouve-se falar em valores cristãos, humanos e corporativos, por exemplo, mas há uma distinção que a tradição que faz especialmente a diferença na vida espiritual, que é entre ter valores e ser virtuoso.
Valores são princípios que orientam o julgamento moral, aquilo que uma pessoa ou uma cultura reconhece como bom, justo ou desejável. São importantes, necessários e formam a base da convivência. Contudo, é possível que permaneçam no plano das ideias, se alguém, por ventura, reconhecer intelectualmente que a honestidade é um valor e ainda assim agir desonestamente quando a situação pressiona.
Já, a virtude, seguindo o Catecismo da Igreja Católica, é “uma disposição habitual e firme para praticar o bem. Permite à pessoa não somente praticar atos bons, mas dar o melhor de si mesma. Uma pessoa virtuosa tende para o bem com todas as suas forças sensíveis e espirituais” (CIC § 1803).
De maneira bem simplificada e resumida, o valor diz o que é bom e a virtude é a capacidade adquirida de fazer o bem com constância, mesmo quando é difícil, ou seja, a virtude é um hábito, não um impulso ocasional, mas uma segunda natureza forjada pela repetição de bons atos.
As virtudes morais (prudência, justiça, fortaleza e temperança, chamadas virtudes cardeais) são adquiridas pelo esforço da vontade, pela educação, pelo treino e pela renúncia.
“As virtudes humanas são adquiridas por esforço humano. São os frutos e os gérmens de atos moralmente bons” (CIC § 1804).
A oração, o jejum e a esmola, que são os três pilares da vida penitencial, são escolas de virtude. A oração cultiva a relação com Deus e aprofunda a fé, a esperança e a caridade e o jejum exercita o domínio de si mesmo, a temperança e a fortaleza. A esmola forma o olhar para o próximo, a justiça e a generosidade.
A lógica é a mesma da formação física, pois a repetição de bons atos cria hábitos, e os hábitos formam o caráter:
Há, porém, virtudes que o esforço humano sozinho não alcança. São as chamadas virtudes teologais (fé, esperança e caridade), infundidas por Deus na alma no Batismo.
“São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar capazes de proceder como filhos seus e assim merecerem a vida eterna. São o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano”, explicou Papa Francisco.
Sem elas, como continuou o Pontífice, “poderíamos ser prudentes, justos, fortes e temperantes, mas não teríamos olhos que veem até no escuro, não teríamos um coração que ama até quando não é amado, não teríamos uma esperança que ousa contra toda a esperança.”
A fé nos une a Deus pela adesão à sua verdade, a esperança orienta o coração para o Reino e sustenta o caminho mesmo nas tribulações, e a caridade é o amor que ama a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo, chegando até aos inimigos e aos mais distantes.
A devoção a Jesus das Santas Chagas, abraçada pela Associação Evangelizar é Preciso fundada pelo Padre Reginaldo Manzotti, é um caminho para viver essas virtudes no cotidiano. Cada Chaga do Senhor é associada a uma virtude que Cristo viveu até as últimas consequências e que nos convida a encarnar em atitudes.
Leia: 10 ações práticas para viver as virtudes da devoção a Jesus das Santas Chagas
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