Fotos: Vaticanews. Foto capa: Ricardo Perna
Há mais de 1.600 anos, uma igreja situada no alto do Monte Esquilino, em Roma, ocupa um lugar único na história do cristianismo. A Basílica Papal de Santa Maria Maior, considerada o santuário mariano mais importante e mais antigo do Ocidente, reúne relíquias ligadas à infância de Jesus, um dos ícones mais venerados da Virgem Maria e a memória de diversos Papas que marcaram a história da Igreja. Celebrada liturgicamente em 5 de agosto, data de sua dedicação, a basílica voltou a chamar ainda mais a atenção do mundo após receber o túmulo do Papa Francisco, atendendo ao desejo expresso por ele em vida.
Santa Maria Maior é um dos principais destinos de peregrinação para os católicos e um símbolo da devoção mariana que atravessa os séculos. Segundo a tradição preservada pela Igreja, a origem da basílica remonta ao século IV. A Virgem Maria teria aparecido em sonho ao patrício romano João e ao Papa Libério, pedindo que uma igreja fosse construída no local onde, de maneira extraordinária, cairia neve.
Na manhã de 5 de agosto de 358, em pleno verão romano, a neve teria delimitado o terreno no Monte Esquilino, uma das sete colinas de Roma. O episódio ficou conhecido como o “Milagre da Neve” e passou a fazer parte da tradição ligada à fundação da basílica.
Anos mais tarde, após o Concílio de Éfeso, em 431, proclamar solenemente Maria como Mãe de Deus (Theotókos), o Papa Sisto III (432-440) ordenou a reconstrução do templo, transformando-o na primeira grande igreja do Ocidente dedicada à Virgem Maria.
A tradição é recordada todos os anos no dia 5 de agosto. Durante a celebração litúrgica, pétalas brancas caem do teto da basílica, simbolizando a neve que, segundo a tradição, indicou o local escolhido por Nossa Senhora para a construção do santuário. Conforme explica a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), essa tradição tornou Santa Maria Maior uma “relíquia mariana”, desejada e inspirada pela própria Mãe de Deus.
A Basílica de Santa Maria Maior é uma das quatro basílicas papais de Roma e a única que preservou, em grande parte, sua estrutura cristã primitiva. Ao longo dos séculos, recebeu ampliações e elementos artísticos, mas sempre mantendo o projeto original, tradicionalmente considerado fruto de um desígnio divino.
É um dos principais centros de peregrinação dedicados à Virgem Maria. Entre seus maiores tesouros está o ícone Salus Populi Romani (“Salvação do Povo Romano”), uma das imagens marianas mais veneradas da Igreja. A tradição atribui sua autoria a São Lucas Evangelista, considerado também o padroeiro dos pintores.
Diante dessa imagem, o Papa Francisco costumava rezar antes e depois de cada uma de suas 47 viagens apostólicas, confiando à proteção de Nossa Senhora cada missão internacional de seu pontificado. Esse gesto é uma das marcas de sua espiritualidade e reforçou ainda mais a ligação entre o Pontífice e a basílica.

Foto: Papa na Basílica de Santa Maria Maior
Santa Maria Maior também guarda algumas das relíquias mais importantes do cristianismo. Entre elas está o Sagrado Berço, tradicionalmente venerado como uma relíquia da manjedoura onde o Menino Jesus foi colocado em Belém. Por esse motivo, a basílica passou a ser conhecida como a “Belém do Ocidente”. Durante séculos, foi nesse templo que os Papas celebravam a Missa da Noite de Natal, mantendo uma tradição que reforçava a ligação simbólica entre Roma e o nascimento de Cristo.
O santuário também conserva os restos mortais de São Matias, escolhido para ocupar o lugar deixado por Judas entre os Doze Apóstolos, e de São Jerônimo, tradutor da Bíblia para o latim na célebre Vulgata.
Outro momento da história da basílica aconteceu em 867, quando o Papa Adriano II recebeu ali os santos Cirilo e Metódio e aprovou o uso do eslavo antigo na liturgia, um passo importante para a evangelização dos povos eslavos.
Ao longo dos séculos, Santa Maria Maior tornou-se também um importante local de sepultamento de pontífices. A basílica abriga os túmulos de sete Papas: Honório III, Nicolau IV, São Pio V, Sisto V, Clemente VIII, Paulo V e, mais recentemente, do Papa Francisco.
O túmulo de Francisco foi preparado na nave lateral da basílica, entre a Capela Paulina, onde se encontra o ícone da Salus Populi Romani, e a Capela Sforza, próximo ao altar dedicado a São Francisco.
Segundo informou a Sala de Imprensa da Santa Sé, o túmulo foi confeccionado em pedra ardósia, conhecida como a “pedra do povo”, proveniente da Ligúria, região de origem dos avós do Pontífice. Atendendo ao desejo manifestado por Francisco, o monumento apresenta apenas a inscrição “Franciscus” e a reprodução de sua cruz peitoral, refletindo o estilo de simplicidade que marcou seu pontificado.
Deixe seu comentário sobre o que você achou do conteúdo.
Assine nossa newsletter, receba nossos conteúdos e fique por dentro
de todas as novidades.