10 santos pouco conhecidos com histórias surpreendentes

10 santos pouco conhecidos com histórias surpreendentes

O calendário litúrgico da Igreja Católica reúne mais de dez mil santos canonizados ao longo de dois milênios. A maioria tem histórias não tão conhecidas e trajetórias de fé extraordinárias, que algumas vezes parecem ficção, mas estão documentadas em fontes primárias, reconhecidas pelo Magistério e registradas no Martirológio Romano. Do século IV ao XVI, do deserto sírio às cortes europeias, esses dez santos pouco conhecidos têm algo em comum. Conheça mais e descubra!

1. São Simeão Estilita (389-459)

O asceta sírio que sentiu que uma cela no deserto e jejuns prolongados ainda não eram suficientes para sua busca por Deus. Construiu uma coluna de 28 metros de altura e passou os últimos 36 anos de sua vida no topo dela, em uma plataforma de apenas 50cm por 60cm, onde não era possível sentar nem deitar. De lá pregava, recebia imperadores e correspondia-se por carta com Santa Genoveva de Paris. Morreu em posição de oração e seu nome virou categoria: estilita, do grego stylos (coluna), define todos os que o imitaram nos séculos seguintes. Sua festa é celebrada em 5 de janeiro.

2. São Raimundo Nonato (1204-1240)

O nome diz tudo: nonato significa “não nascido”. Raimundo foi extraído vivo do ventre de sua mãe já morta e sobreviveu. Entrou para a Congregação dos Mercedários e foi à África resgatar cristãos cativos. Preso por pregar o Evangelho, teve os lábios furados com um ferro em brasa para ser silenciado. É padroeiro das parturientes, das parteiras e de todos que nasceram com dificuldade. Sua festa é celebrada em 31 de agosto.

3. São José de Cupertino (1603-1663)

Frade franciscano italiano que levitava durante a oração e a Missa com uma frequência tão perturbadora que se tornou um problema pastoral: foi proibido de celebrar Missa publicamente por anos, para evitar o alvoroço entre os fiéis. Diz-se que levitou mais de setenta vezes testemunhadas, inclusive diante de autoridades civis e eclesiásticas. É padroeiro dos estudantes, dos pilotos e dos astronautas. Sua festa é celebrada em 18 de setembro. 

Imagem: reprodução da obra de Ludovico Mazantti

4. Santa Dymphna (século VII)

Princesa irlandesa filha de um rei pagão que, após a morte da mãe, enlouqueceu e decidiu casar com a própria filha. Dymphna fugiu para a Bélgica com seu confessor, o padre Geréberno. O pai os encontrou e os decapitou a ambos. Canonizada pela Igreja, tornou-se padroeira das doenças mentais e neurológicas. Em Geel, na Bélgica, onde está seu santuário, surgiu uma das primeiras e mais duradouras experiências de integração comunitária de doentes mentais da história – tradição que persiste até hoje. Sua festa é celebrada em 15 de maio.

5. São Cassiano de Imola (século IV)

Professor cristão em Imola, Itália, que se recusou a oferecer sacrifícios aos ídolos durante a perseguição de Diocleciano. O juiz, ao descobrir que ele ensinava crianças, decidiu que a sentença seria executada pelos próprios alunos – que o esfaquearam com seus estilos, os instrumentos de escrita da época. É padroeiro dos professores e dos taquígrafos. Sobre sua sepultura foi construída a catedral de Imola. Sua festa é celebrada em 13 de agosto.

6. São Bartolomeu Apóstolo (século I)

Um dos Doze, pouco citado nos Evangelhos, mas com uma tradição martirológica das mais impressionantes: foi executado sendo esfolado vivo, tendo a pele arrancada antes de ser decapitado. Michelangelo o imortalizou no Juízo Final da Capela Sistina segurando a própria pele – e colocou seu próprio rosto na pele do Santo, num gesto de identificação com o sofrimento. É padroeiro dos açougueiros, dos curtidores e dos encadernadores. Sua festa é celebrada em 24 de agosto.

7. Santa Genoveva de Paris (422-512)

Pastora de ovelhas que se tornou a salvadora de Paris. Quando Átila e seus hunos marchavam em direção à cidade e a população fugia em pânico, Genoveva convocou as mulheres à oração e à resistência, garantindo que Paris não cairia. Átila desviou o caminho e nunca atacou a cidade. Consagrada a Deus desde os sete anos por São Germano de Auxerre, viveu em jejum, vigília e oração até os noventa anos. É padroeira de Paris até hoje. Sua festa é celebrada em 3 de janeiro.

8. São Pedro Telônio (século VI)

Cobrador de impostos corrupto e sem escrúpulos que, num dia frio, foi abordado por um mendigo pedindo agasalho. Com impaciência, atirou-lhe um pão velho. Naquela noite, sonhou com Cristo carregando o pão. O sonho o sacudiu por dentro. Começou a distribuir esmolas e, gradualmente, vendeu tudo que tinha para dar aos pobres. Morreu como penitente, completamente convertido e a Igreja o reconhece como exemplo de que a misericórdia de Deus alcança qualquer ponto de partida. Sua festa é celebrada em 11 de outubro.

9. São João de Deus (1495-1550)

Soldado, aventureiro e vendedor ambulante de livros antes de ter uma crise mística aos 43 anos que o levou a um comportamento tão transtornado que foi internado num hospício de Granada. Ali, diante do sofrimento dos doentes mentais, tratados com brutalidade, percebeu sua vocação. Saiu transformado, fundou um hospital e criou o que se tornaria a Ordem dos Irmãos Hospitaleiros, presente em dezenas de países até hoje. É padroeiro dos hospitais e dos doentes cardíacos. Sua festa é celebrada em 8 de março.

10. Santa Dúlcida (século X)

Nobre espanhola que, após ficar viúva, decidiu dedicar o restante da vida a obras de misericórdia e penitência, cuidando dos pobres e enfermos com os próprios recursos da família. A sua santidade foi construída no silêncio do cotidiano, na generosidade discreta e na fidelidade à oração. É um dos exemplos mais claros de que a Igreja reconhece a santidade também no ordinário vivido com amor extraordinário. Sua festa é celebrada em 16 de setembro.

Perguntas frequentes sobre estes Santos

Qual o santo mais incomum da história da Igreja Católica?

São Simeão Estilita é frequentemente citado como o mais singular: passou 36 anos no topo de uma coluna de 28 metros, sem poder sentar ou deitar, pregando e aconselhando imperadores de lá de cima.

Quem é o padroeiro das doenças mentais?

Santa Dymphna, princesa irlandesa do século VII, é a padroeira das doenças mentais e neurológicas na Igreja Católica.

Existe um santo padroeiro dos professores?

Sim. São Cassiano de Imola, martirizado pelos próprios alunos no século IV, é um dos patronos dos professores.

São José de Copertino realmente levitava?

A levitação de São José de Copertino está documentada em mais de setenta testemunhos reconhecidos pelo processo de canonização. É padroeiro dos estudantes, pilotos e astronautas.

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