Essa história da independência do Brasil não é tão conhecida, mas antes de proclamá-la às margens do Rio Ipiranga, Dom Pedro de Alcântara teria feito uma parada, em agosto de 1822, em uma viagem pela província de São Paulo, quando o príncipe regente desviou o caminho para entrar numa pequena capela em Guaratinguetá, o mesmo lugar que hoje conhecemos como a Basílica Histórica de Aparecida, onde teria se ajoelhado diante da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e rezado.
Segundo registros históricos documentados pela Diocese de Piracicaba, “no dia 20 de agosto de 1822, o príncipe Dom Pedro I foi rezar na antiga capela de Nossa Senhora Aparecida, para ter sucesso na solução de problemas políticos que, poucos dias depois, desaguariam na proclamação da Independência”.
O contexto era de tensão crescente, pois Portugal ameaçava suspender todos os direitos do príncipe regente, e as cartas que chegavam de sua esposa, a Princesa Leopoldina, e do ministro José Bonifácio deixavam claro que a ruptura era inevitável. Dom Pedro prometeu consagrar o Brasil à Virgem Maria caso a independência fosse alcançada. Saindo de Guaratinguetá, seguiu para São Paulo. Dezoito dias depois, em 7 de setembro de 1822, o Brasil então foi declarado independente.
Como sinal de gratidão, Dom Pedro mandou uma lâmpada de prata para a capela de Nossa Senhora Aparecida, conforme registra a Diocese de Barra do Garças em sua história da devoção a Nossa Senhora Aparecida.

Dom Pedro II e Tereza Cristina em Petrópolis. Foto: Reprodução
Como está documentado pela Diocese de Piracicaba e pela Diocese de Barra do Garças, “o imperador Dom Pedro II e a imperatriz D. Teresa Cristina estiveram em 1843 e em 1865 na capela de Aparecida, para rezar diante da imagem”.
A primeira visita, em 1843, aconteceu no mesmo ano em que Teresa Cristina chegou ao Brasil. Princesa do Reino das Duas Sicílias, ela desembarcou no Rio de Janeiro em setembro daquele ano, após casamento por procuração com Dom Pedro II realizado em Nápoles. Ficaria conhecida pelos brasileiros como “Mãe dos Brasileiros”, título que a história lhe conferiu pela doçura e pela dedicação com que serviu o povo ao longo de quatro décadas de Império.
Princesa Isabel também tem seu capítulo nessa história. Conforme registra a Diocese de Barra do Garças, ela esteve em Aparecida em 1868, com seu marido, o Conde D’Eu, “para pedir a graça de um herdeiro para o trono”. Naquela ocasião, doou à imagem de Nossa Senhora Aparecida um manto azul-marinho, simbolizando o céu estrelado brasileiro, enfeitado com 21 brilhantes representando as 20 províncias do Império e a capital.
A graça foi alcançada. Em 1884, a princesa voltou a Aparecida para agradecer, acompanhada do marido e de seus três filhos. Em 6 de novembro de 1888, em uma segunda visita, ofereceu à santa uma coroa de ouro cravejada de rubis e diamantes, cumprimento da promessa feita vinte anos antes.

A proclamação oficial de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil levou mais de um século para acontecer. Em 1826, logo após a Independência, o Papa Leão XII havia declarado padroeiro do país São Pedro de Alcântara, atendendo a solicitação do próprio Dom Pedro I, devoto do santo espanhol que era o patrono da família real portuguesa.
Foi apenas em 1930 que o Papa Pio XI proclamou Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, atendendo ao pedido dos bispos brasileiros. Em 1984, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou o Santuário oficialmente como Santuário Nacional.
O 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, foi declarado feriado nacional em 1980, durante a visita do Papa João Paulo II, que naquela ocasião consagrou a nova Basílica.
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