O futebol costuma unir pessoas de diferentes culturas, idades e histórias. Entre os milhões de apaixonados pelo esporte ao redor do mundo, também estão santos e beatos da Igreja Católica. Enquanto a Copa não termina, conheça alguns deles que foram torcedores fanáticos, outros que chegaram a jogar regularmente e aqueles que utilizaram o esporte como instrumento de educação, evangelização e transformação social. Mais do que uma simples diversão, o futebol ocupou um lugar importante na vida dessas personalidades hoje reconhecidas pela santidade.

Antes de se tornar conhecida, o “Anjo Bom da Bahia”, Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes foi uma menina apaixonada por futebol. Em uma entrevista concedida à TV Bahia em 1986, ela recordou com carinho a infância:
“Quando eu era pequena, adorava ir para a rua brincar de bola.”
A paixão nasceu após a morte de sua mãe. Ao buscar unir a família, seu pai passou a levar os cinco filhos todos os domingos ao Campo da Graça, principal estádio de Salvador na época. Ali, a pequena Maria Rita tornou-se uma torcedora fervorosa do Ypiranga, um dos clubes mais populares do estado nas décadas de 1920 e 1930. Naquele tempo, o time vivia uma de suas fases mais vitoriosas e era considerado o clube de maior torcida da capital baiana. O futebol era tão importante para ela que, quando fazia alguma travessura, o castigo era ser proibida de assistir aos jogos.
Na mesma entrevista, a Santa revelou que tinha um jogador preferido: o atacante Apolinário Santana, conhecido como Popó (Apolinário Santana) e chamado de “o craque do povo”.
Nem a entrada na vida religiosa diminuiu seu interesse pelo esporte. As lembranças das tardes no Campo da Graça continuaram vivas por toda a sua vida e mostraram que a futura Santa também encontrou no futebol momentos de alegria, convivência familiar e amizade.

São João Paulo II recebe o Cracóvia, pioneiro no futebol polonês e seu time do coração./Foto: reprodução Revista Goal
Muito antes de se tornar Papa, Karol Wojtyła já era prestigiado por sua paixão pelos esportes. Além de praticar esqui, montanhismo, natação e canoagem, o jovem polonês teve uma relação especial com o futebol. Nas partidas disputadas em sua cidade natal, costumava atuar como goleiro. Amigos da juventude recordaram que ele era um excelente jogador e um líder respeitado dentro e fora de campo. Em diversas ocasiões, participou de partidas que reuniram judeus e cristãos.
Mesmo depois de se tornar Sacerdote, Bispo e, posteriormente, Papa, nunca deixou de valorizar o esporte. Uma fotografia histórica de 1959 mostra Wojtyła em meio a uma partida de futebol já como Bispo auxiliar de Cracóvia. Para São João Paulo II, o futebol era muito mais do que competição. Ele o definia como uma verdadeira “ginástica do corpo e do espírito” e defendia que ajudava a formar pessoas melhores.
Seu amor foi tão conhecido que, pouco antes de sua morte, recebeu uma camisa personalizada do Cracóvia, clube de seu coração. Mais tarde, a equipe aposentou simbolicamente a camisa número 1 em sua homenagem e eternizou o Santo goleiro na história do futebol polonês.

Foto: reprodução https://carloacutis.com/pt/association
O “padroeiro da internet” levou uma vida muito parecida com a de milhões de adolescentes. Gostava de tecnologia, videogames, amigos e também de futebol.
Nascido em Londres e criado em Milão, Carlo costumava jogar bola com colegas e acompanhava campeonatos. Embora existam fotografias dele usando roupas do Milan, relatos de amigos e biógrafos indicam que seu time do coração era a Inter de Milão.
Sua mãe, Antonia Salzano, revelou diversas vezes que o Santo tinha uma admiração especial pelo Brasil e pelo rei Pelé. Mesmo sem nunca ter visitado o País, conhecia a história do futebol brasileiro e acompanhava a trajetória de alguns dos grandes craques nacionais. Essa ligação ganhou um significado ainda mais especial após o reconhecimento do primeiro milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido em Campo Grande (MS).
Nascido em 1908, na cidade mexicana de Naolinco, entrou cedo para o seminário e rapidamente se destacou nos gramados. Atuou como zagueiro, posição que exigia firmeza, coragem e liderança. Durante os anos de formação sacerdotal, tornou-se capitão da equipe do seminário de Veracruz. Testemunhos da época relatam que sabia competir sem perder a caridade, sendo respeitado por colegas e adversários.
Ordenado Sacerdote em meio à perseguição religiosa da Guerra Cristera, exerceu seu ministério por pouco tempo. Em 1931, com apenas 22 anos, enquanto atendia os fiéis, foi assassinado por perseguidores antirreligiosos.
Beatificado em 2005, é lembrado pela Igreja como exemplo de coragem e fidelidade. Sua história mostra que a liderança aprendida nos campos de futebol pode se transformar em fortaleza para testemunhar a fé até os últimos dias de vida.
Entre todos os santos e beatos ligados ao futebol, poucos tiveram uma relação tão profunda com o esporte quanto Benedicto Daswa. Professor, diretor escolar, pai de família e líder comunitário, fundou em 1976 o time Mbahe Eleven Computers, na África do Sul. O objetivo não era apenas ganhar partidas, mas oferecer aos jovens uma alternativa à violência, ao alcoolismo e à falta de perspectivas. Como técnico, dirigente e incentivador, utilizou o futebol para ensinar disciplina, honestidade, amizade e responsabilidade. Antes dos jogos, incentivava momentos de oração e transmitia valores cristãos aos atletas.
Católico convicto, Daswa teve uma postura firme na defesa do cristianismo e na rejeição a costumes terrenos ou pagãos. Anos depois, a mesma fidelidade aos ensinamentos da Igreja o levaria ao martírio. Em 1990, foi assassinado enquanto rezava, tornando-se o primeiro mártir oficialmente reconhecido da África do Sul.

Foto: reprodução
Muito antes do futebol se tornar uma paixão mundial, São João Bosco já compreendia a força educativa dos jogos e das atividades esportivas. Nascido em 1815, no norte da Itália, dedicou sua vida aos jovens pobres e abandonados das grandes cidades. Percebeu que seria impossível evangelizá-los apenas com sermões. Era preciso primeiro conquistar seus corações.
Por isso, os pátios dos Oratórios Salesianos estavam sempre cheios de brincadeiras, corridas, jogos e partidas de bola. O próprio Dom Bosco participava das atividades, corria com os jovens e conversava com eles durante os momentos de lazer. Para o Santo, o esporte era uma ferramenta fundamental de seu Sistema Preventivo, método educativo baseado na razão, na religião e na amabilidade.
Ele acreditava que uma pessoa ocupada com atividades saudáveis ficava mais distante dos perigos da violência, dos vícios e da criminalidade. Essa visão marcou profundamente a espiritualidade salesiana. Até hoje, escolas, paróquias e obras sociais fundadas pela Ordem mantêm campos de futebol e quadras esportivas como parte essencial da formação humana e cristã.
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