Léo Tarcísio Gonçalves Pereira nasceu em 9 de outubro de 1961 em Delfim Moreira, em Minas Gerais, filho de Joaquim Mendes e Maria Nazaré. Entrou em contato com a Renovação Carismática Católica em 1983, e a experiência mudou o rumo de sua vida. Fez a primeira profissão religiosa na Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, os dehonianos, em 25 de fevereiro de 1984, e foi ordenado Sacerdote em 8 de dezembro de 1990. Ele foi batizado com apenas três dias de vida, no Dia de Nossa Senhora Aparecida.
O que o tornaria conhecido em todo o Brasil, porém, não era apenas o batismo numa congregação religiosa. Era uma combinação que poucas pessoas conseguem equilibrar: uma fé intensa, uma sensibilidade para os que estavam à margem e um talento natural para fazer rir. Padre Léo entendia o humor como parte da vida cristã, não como concessão a ela e, para ele, a alegria era uma condição para receber o Evangelho como deveria.
Em 12 de outubro de 1995, Padre Léo fundou a Comunidade Betânia, em São João Batista, Santa Catarina. A obra nasceu para acolher quem a sociedade costuma ignorar: dependentes de drogas e álcool, pessoas vivendo com HIV, menores abandonados. Com mais de trinta membros e cinco casas espalhadas pelo Brasil, a Betânia se tornou o sinal mais concreto daquilo que ele pregava nos palcos, que o amor de Deus não tem condições de entrada.
Padre Léo era também cantor, compositor, apresentador e escritor. Antes de entrar no seminário, trabalhou como torneiro mecânico e chegou a ficar noivo, mas resolveu seguir sua vocação. Pregava em um estilo informal e desarmado que quebrava a distância entre o púlpito e a plateia. Usava causos do cotidiano, situações engraçadas, o absurdo do dia a dia para iluminar temas sérios como perdão, conversão e família. Quem o ouvia costumava rir antes de chorar, e às vezes os dois ao mesmo tempo.

Em abril de 2006, Padre Léo soube que tinha linfoma. Em dezembro do mesmo ano, já debilitado, ele subiu ao palco do Hosana Brasil 2006, evento da Comunidade Canção Nova e pregou em um dos testemunhos mais fortes, pois era um homem que usava a alegria como linguagem espiritual, pregando sobre fé diante da própria morte, e ainda capaz de arrancar um sorriso da plateia.
Padre Léo morreu em 4 de janeiro de 2007, aos 45 anos, no Hospital das Clínicas de São Paulo, de infecção generalizada decorrente do linfoma. Está sepultado na Comunidade Betânia, em São João Batista.

A causa de beatificação foi aberta em 7 de março de 2020, pela Arquidiocese de Florianópolis, sob a presidência do arcebispo Dom Wilson Tadeu Jönck. Ao longo dos anos seguintes, foram colhidos dezenas de testemunhos, reunidos todos os escritos que puderam ser localizados e transcritas mais de 300 horas de suas pregações. A fase diocesana foi encerrada em 21 de junho de 2025, em cerimônia na Comunidade Betânia. Os documentos foram selados e enviados a Roma.
Em julho de 2025, o dossiê deu entrada no Dicastério para as Causas dos Santos, dando início à fase romana. O postulador da causa é Paolo Villota. Padre Léo Tarcísio Gonçalves Pereira é hoje reconhecido como Servo de Deus, o primeiro título formal no caminho para os altares.
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