Philip Patrick Stephen Mulryne parecia ter tudo aquilo que muitos jovens apaixonados por futebol sonham conquistar. Nascido em Belfast, na Irlanda do Norte, ele começou cedo no esporte e, ainda adolescente, foi descoberto por um olheiro do Manchester United, clube da Inglaterra. Pouco depois, passou a integrar as categorias de base de um dos maiores times do mundo.
Em 1994, Mulryne entrou de vez na estrutura do Manchester United. No ano seguinte, fez parte do elenco campeão da FA Youth Cup, competição tradicional entre jovens jogadores da Inglaterra. A carreira parecia promissora: clube gigante, seleção nacional e convivência com nomes que se tornariam lendas do futebol, como David Beckham, Paul Scholes, Andy Cole e Ole Gunnar Solskjaer.
Apesar do começo cercado de expectativa, o espaço no time principal foi pequeno. Em busca de mais oportunidades, Mulryne foi vendido ao Norwich City. Foi nesse clube que viveu a fase mais consistente da carreira. Também passou pela seleção da Irlanda do Norte, pela qual estreou nas competições em 1997 e disputou 27 jogos.
Mas a vida de jogador, que por fora parecia perfeita, começou a mostrar limites. Mulryne tinha reconhecimento, dinheiro, carros e festas. Ainda assim, algo não se encaixava. O incômodo cresceu aos poucos. Ele reconheceu que a vida de atleta, com tudo o que ela trazia, não respondia às perguntas mais profundas que carregava.
Um episódio de 2005 marcou ainda mais esse processo de reflexão. Às vésperas de uma partida das Eliminatórias da Copa, ele foi afastado da seleção por ter quebrado regras da concentração ao sair para ir em uma balada. “Foi um ponto de mudança, me fez refletir mais”, contou em entrevista para o canal do Youtube “Ex-True Light Catholic Media Foundation”.
Quando se aposentou em 2009 voltou para sua cidade natal e se aproximou novamente da fé. Mas seu caminho até o sacerdócio não aconteceu de forma repentina, ele passou por um trajeto de reencontro com Deus. Também fez trabalho voluntário em um abrigo para pessoas em situação de rua. Aos poucos, percebeu que a vida simples e a espiritualidade ofereciam algo que o futebol, com seus altos e baixos, não conseguia dar: uma paz mais constante.
“Como jogador, você fica preso a todo aquele modo de vida. Nunca para de pensar: isso não vai durar para sempre. O que vou fazer depois?”, relatou ao canal do Youtube “Norwich City Football Club”.
No mesmo ano, Mulryne ingressou no seminário e começou sua formação sacerdotal. Em 2012, entrou no noviciado da Ordem dos Pregadores, os dominicanos. Em 2017, Philip foi ordenado Sacerdote. Dois dias depois, celebrou sua primeira Missa em Belfast, a cidade em que nasceu.
Hoje, Padre Philip Mulryne, é lembrado não apenas como o ex-jogador, mas como alguém que permitiu que Deus transformasse sua história.
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