Médica veterinária, catequista e influenciadora católica: como Ana Clara Arnold evangeliza em tempos de algoritmos

Médica veterinária, catequista e influenciadora católica: como Ana Clara Arnold evangeliza em tempos de algoritmos

Ana Clara Arnold tem 24 anos, é formada em medicina veterinária, estuda para concurso público, namora há cinco anos, serve como catequista de Crisma há três anos e mantém um perfil no Instagram com quase 120 mil seguidores. No meio de tudo isso, a influenciadora encontrou no digital uma forma de servir a Deus, e não abre mão disso mesmo nos dias mais difíceis.

“Se fosse só pelas minhas forças, eu já teria desistido há muito tempo, mas Deus me diz ‘coragem para continuar’.”

A conversão que mudou a forma de ver a vida

Ana é católica de berço, recebeu os sacramentos e foi criada na Igreja, mas foi em 2022, em um retiro, que sua fé foi elevada a outro nível de vida.

“Eu tive esse encontro verdadeiro que ninguém tinha que me dizer o que fazer. Eu realmente vi que eu deveria mudar por Cristo, sabe? Foi um processo, assim eu encontrei Deus e aí, pouco a pouco, fui me incomodando com algumas coisas na minha vida e fui mudando”, conta.

A transformação passou pelo que assistia, o que escutava, a forma de rezar. E isso começou a chegar também a quem estava ao seu redor. A irmã seguiu o exemplo. “A gente começa a iluminar as pessoas da nossa volta”, diz.

O primeiro vídeo que viralizou

A ideia de evangelizar nas redes nasceu da catequese. Como catequista de Crisma, Ana queria que os vídeos fossem um complemento dos encontros, um espaço para aprofundar temas, responder dúvidas, alcançar os crismandos além dos muros da paróquia.

O primeiro vídeo foi sobre Nossa Senhora. Ela pegou o Tratado da Verdadeira Devoção, o Catecismo, a Bíblia e foi rebatendo, um por um, os c. O vídeo viralizou e as pessoas pediram que ela continuasse. Assim, o perfil @catolicaonlinee cresceu.

“Hoje é muito mais do que produzir conteúdo para a internet. Na verdade eu brinco que é um egoísmo meu: para transbordar aos outros, tenho que me encher primeiro. Então, para minha fé se manter, para continuar minha vida de oração, para continuar pesquisando, isso que faz o meu perfil fazer parte da minha vida de oração principalmente.”

Algoritmos, tendências e os erros que ensinaram

Quando começou, Ana achava que precisava falar de absolutamente tudo e se posicionar sobre tudo. Com o tempo, aprendeu que não.

“A minha opinião é irrelevante. Eu tenho que passar o que a Igreja pensa, o que a Igreja prega.”

A maturidade também veio na relação com as tendências. Ela conta que tentava ressignificar o que estava em alta para o modo cristão e que isso, por vezes, virou armadilha. “Já tive muitos erros. O importante é reconhecer e crescer”.

Ela escolhe agora com mais critério: segue tendências quando percebe que aquilo pode levar a mensagem católica a mais pessoas e, quando não percebe isso, fica de fora, mesmo que o algoritmo peça o contrário.

“Eu tento fugir um pouco dessas polêmicas, porque já foi muito difícil para mim essa parte.”

Namorar em Deus também é testemunho

Uma das características do perfil de Ana é a naturalidade com que compartilha sua vida a dois. Ela e o namorado, que é “low profile total, não gosta de gravar“, como conta com humor, se conheceram na Igreja e, quando aparecem juntos nos vídeos, o propósito é bem certo.

“Não por sermos exemplo de perfeição, estamos longe disso. Mas eu acredito que quando o mundo está tão disseminado de trevas, quando você vê alguém conseguindo ser um pouco do reflexo de Cristo, já é muito bom. Você cria esperança.”

A expectativa de que é possível viver um relacionamento em Deus, de que o amor não é à toa, de que vale a pena caminhar juntos rumo ao Sacramento do Matrimônio é o grande sonho que ela descreve com ânimo quando fala do futuro.


Comentários negativos e a batalha interna

Quem evangeliza nas redes sabe que o ataque também vem e Ana não é exceção. Mas a relação com isso mudou com o tempo.

“Antes me afetava muito. Hoje eu entendo que as pessoas vão falar o que querem, por mais que você defenda o seu ponto. Então me desprendi de tentar combater com pessoas que simplesmente não querem conversar, só querem atacar.”

Apesar da consciência sobre a realidade, não é algo sempre simples ou fácil. O que a sustenta nesses momentos, diz ela, é a vida de oração. Santa Teresinha do Menino Jesus é uma das intercessoras que invoca e a prática de responder, quando responde, não tem como objetivo ganhar um debate, mas catequizar.

O conselho para quem quer começar

Para as jovens católicas que querem evangelizar nas redes mas têm medo de errar, de serem julgadas, de não se sentirem preparadas, Ana tem uma resposta que vem da experiência:

“Deus nos deu espírito de coragem e não de timidez. Coragem em Deus não é sobre não sentir medo. Você vai sentir. Vão ter ataques, mas precisa manter o olhar em Cristo e um propósito claro. Quem ama conhece. Quem conhece ama mais.”

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Comentários

  • Wendel
    Parabéns pela reportagem, a Ana Clara é uma cristã que estimula muitos jovens na busca do rei de Deus.

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