Setembro é sempre um mês em que o Brasil olha para o seu futuro político e institucional. Quando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emite sua mensagem aos eleitores, não está fazendo propaganda partidária, mas lembrando um princípio fundamental da Doutrina Social da Igreja: a política, que se praticada com ética e justiça, é uma das formas mais altas de caridade.
Isso é reforçado nas práticas de orientação, como: o recente programa de televisão com Cardeais Brasileiros, ao abordarem o tema da política; a criação da cartilha “Orientação Política da CNBB 2026” ou a cartilha “Critérios de discernimento do voto”, da Frente Parlamentar Católica; e a soma de esforços dos influenciados e lives online, que objetiva formar uma consciência política sadia, combater a corrupção, a fake news, os abusos de poder econômico ou político e a compra de votos.
No dia a dia, ao atuar à frente de um setor de Relações Institucionais e Governamentais ou de instituições como a SIGNIS Brasil, percebo com clareza o quanto a nossa sociedade precisa de uma “virada de chave”. Trabalhar na ponte entre o terceiro setor, a sociedade civil e os órgãos públicos me ensina, diariamente, que institucionalidade não se constrói com gritos ou polarização, mas com escuta, técnica e valores inegociáveis. Quando olhamos para as grandes pautas do nosso País, vemos que os problemas sociais não são apenas números em planilhas orçamentárias. São rostos humanos que carregam dores profundas.
É exatamente nesse ponto que a visão técnica do trabalho institucional precisa se encontrar com a sensibilidade da fé. Na minha caminhada diária, busco no abraço e na oração da devoção a Jesus das Santas Chagas a força necessária para não desanimar diante da burocracia ou da aridez do cenário político. As Chagas de Cristo nos lembram de maneira muito concreta as chagas da nossa própria gente: a fome, a falta de acesso à saúde, o desemprego e a desilusão com os gestores públicos. Atuar em todas as esferas nos faz retornar ao Evangelho, ou seja, não é possível olhar para os gabinetes sem lembrar das ruas e das dores de quem mais precisa.
A verdadeira transformação social exige que saibamos dialogar sem perder a nossa identidade e sem negociar a ética. Nas minhas pesquisas, tenho me aprofundado na análise de como governança transparente e planejamento estratégico, aplicados às instituições, podem gerar políticas públicas que realmente cheguem na ponta. Não adianta termos discursos bonitos se os processos internos não funcionam ou se os projetos não saem do papel por falta de gestão. A mensagem precisa ser clara: não se afaste da política por desilusão. A omissão abre espaço para que o egoísmo e a corrupção ocupem o poder. Exercer a cidadania é um ato diário de responsabilidade social que vai muito além do dia da eleição. Envolve cobrar, propor soluções e acompanhar o trabalho de quem foi eleito para servir ao povo.

Muitas vezes, a política parece um ambiente frio e hostil, focado apenas em disputas de poder e interesses particulares. No entanto, quando aplicamos metodologias sérias de articulação e mantemos o coração focado no bem comum, transformamos reuniões de trabalho em instrumentos de justiça. Cada projeto aprovado, cada emenda direcionada à assistência social e cada diálogo construído é uma forma de curar uma ferida aberta na sociedade.
Olhar para Jesus das Santas Chagas nos ensina a não ter medo de tocar nas feridas do mundo. Ele não se desviou da dor humana. Ao contrário, assumiu as nossas dores para nos trazer a cura e a salvação. Todo cristão deve encarar os problemas do País com coragem, usando suas competências técnicas para construir pontes onde a divisão insiste em erguer muros. Precisamos atuar e aprender como cobrar uma liderança ética em tempos de crise.
Ficou evidente que o mercado e a sociedade não aceitam mais líderes improvisados. Precisamos de profissionais preparados, que conheçam as leis, respeitem o orçamento público e saibam mapear riscos, mas que mantenham a honestidade e a empatia como pilares fundamentais de suas condutas diárias.
Se queremos ver um Brasil mais justo, precisamos começar a exigir transparência nas instituições e praticar o mesmo nas pequenas atitudes diárias. A ética na política começa no respeito ao próximo na Internet, na recusa em espalhar notícias falsas e no compromisso real com a verdade. É esse o testemunho que atrai os jovens e renova a esperança de que um futuro diferente é plenamente possível.
Por tudo isso, ao acompanharmos os debates e as diretrizes do nosso País em setembro, não olhemos para a política com desprezo, mas com o compromisso de quem quer transformar. Que a nossa fé não seja um refúgio isolado do mundo, mas o combustível que nos impulsiona a trabalhar por leis mais justas e por instituições mais humanas e eficientes.
Termino este artigo ao lembrar que o amor ao próximo se traduz em atos concretos de serviço. Que as dores do nosso povo encontrem em cada um de nós – seja como comunicadores, gestores, estudantes ou cidadãos – uma resposta de trabalho sério, oração constante e dedicação incansável ao bem comum. É assim que fazemos da nossa fé uma força viva e atuante na história como comunicadores da paz!
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