Quem cuida da saúde mental de quem vai ser Padre?

Quem cuida da saúde mental de quem vai ser Padre?

O tema escolhido para o Encontro Nacional de Atualização para Psicólogos da Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil (Osib), realizado entre os dias 11 e 13 de setembro em Brasília, poderia estar na pauta de qualquer debate contemporâneo sobre saúde pública: “Redes sociais e saúde mental: conexão ou isolamento? A Inteligência Artificial na análise de emoções e comportamento humano no processo formativo”. Psicólogos que atuam nas casas formativas de seminários de todo o Brasil estiveram presentes.

Na abertura, o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Ricardo Hoepers, destacou os desafios e esperanças da dimensão psicológica na formação dos futuros presbíteros. A presença de Dom José Albuquerque, bispo de Parintins e referencial da Osib, reforçou o peso institucional do encontro, que contou ainda com a apresentação da nova presidência da organização para o quadriênio 2026-2030, cujos nomes serão confirmados na próxima reunião do Conselho Permanente da CNBB.

As assessorias ficaram a cargo do padre Danilo Pinto, da Arquidiocese de Salvador e assessor do Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial e Tecnologias Emergentes da CNBB, e do professor doutor Everthon de Souza Oliveira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC) e especialista nas implicações éticas da inteligência artificial. Juntos, eles conduziram reflexões sobre um fenômeno que afeta tanto os seminaristas quanto a população em geral: o impacto das redes sociais na saúde emocional e as possibilidades, além de riscos, da IA na leitura do comportamento humano.

Conversa que vai além dos seminários

A questão das redes sociais e da saúde mental é uma das feridas mais presentes e menos discutidas do nosso tempo e com a campanha do Setembro Amarelo, a Igreja e a sociedade são convocadas a olhar para ela com mais atenção.

Padre Jorge Fortunato, em texto publicado no IDe+, escreveu que “durante muito tempo, vigorou um equívoco perigoso, e pastoralmente danoso, de associar a depressão, a ansiedade e a ideação suicida a uma suposta ‘falta de Deus’ ou ‘fraqueza de oração’. É urgente desmistificar isso“.

“A prevenção ao suicídio passa pelo cultivo da saúde mental, pelo fim do estigma sobre a busca por ajuda terapêutica, cura interior e psiquiátrica, e pelo fortalecimento dos laços comunitários e familiares”.

É nessa articulação entre fé, psicologia e cuidado concreto com o outro que o trabalho dos psicólogos nos seminários encontra seu sentido mais amplo. Formar padres emocionalmente saudáveis é formar pastores capazes de acolher de maneira ainda mais completa.

Leia mais sobre o tema

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