Dona Nereida com o marido e o Pároco
As dores começaram há anos, mudaram completamente sua rotina e transformaram até as atividades mais simples em desafios diários. Nereida Araújo, que antes trabalhava como costureira e artesã, mas teve que deixar as atividades por causa da fibromialgia, condição que provoca dores crônicas em diferentes partes do corpo e afeta mais de 150 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
“É muito difícil, sinto dores constantes e uso muitos medicamentos, mas não tem alívio das dores”, relata.
Ela conta que passou por diversos especialistas e realizou inúmeros exames até conseguir chegar ao acompanhamento com um reumatologista. Mesmo assim, o caminho até o diagnóstico foi longo e desgastante.
“Há quatro anos, depois de muitos exames sem resultados corretos, até uma ressonância eu fiz, mas nada apareceu. Me passaram para o médico reumatologista e, mesmo com o tratamento que continuo fazendo, só sinto alívio das dores enquanto a medicação está fazendo efeito”.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a fibromialgia é uma síndrome clínica caracterizada principalmente por dor crônica generalizada, especialmente na musculatura, além de fadiga, alterações do sono, ansiedade e dificuldades de concentração. Ainda de acordo com a SBR, a doença afeta cerca de 3% da população brasileira e ocorre principalmente em mulheres entre 30 a 50 anos de idade.
Como explica Eduardo Paiva, especialista em fibromialgia que atua no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC-UFPR), a fibromialgia é uma síndrome em que a pessoa fica mais sensível à dor por conta de uma alteração no sistema nervoso central e periférico. O sistema nervoso funciona à base de sinais elétricos, e essa eletricidade é modulável, então as pessoas que têm fibromialgia recebem sinais elétricos mais fortes.
“Nós ainda não temos muita certeza do porquê disso acontecer e há vários ‘caminhos’ que levam a essa condição. Algumas pessoas começam com uma dor mais localizada que depois se espalha, outras já começam com dor no corpo inteiro. Outras desenvolvem depois de infecções, traumas psicológicos, ou ao longo dos anos. O que elas têm em comum é essa sensibilidade aumentada e a dor generalizada, que é principalmente uma dor muscular”, explica o médico.
Um dos maiores desafios da fibromialgia é o diagnóstico. Muitas pessoas convivem durante anos com dores intensas sem encontrar alterações em exames laboratoriais ou de imagem. O diagnóstico é clínico, baseado principalmente na avaliação dos sintomas feita pelo médico reumatologista. A condição costuma provocar dores espalhadas pelo corpo por pelo menos três meses, frequentemente acompanhadas de fadiga intensa e sono não reparador.

Muitos pacientes relatam dificuldades de memória, concentração e sensação constante de esgotamento físico e mental. No caso de dona Nereida, as limitações alteraram completamente o cotidiano. “Minha vida é basicamente em casa por conta das dores no corpo em todas as articulações e o tratamento atua como paliativo”.
Embora ainda não exista cura definitiva para a fibromialgia, especialistas afirmam que o tratamento pode ajudar significativamente no controle dos sintomas e na qualidade de vida. Segundo a Mayo Clinic, instituição referência mundial na área, o acompanhamento costuma envolver:
O acompanhamento emocional também é considerado importante, já que a condição impacta toda a rotina e a saúde mental do paciente. “É importante que ele entenda mais sobre a doença e, em alguns casos, a terapia psicológica pode ser bastante útil, principalmente para aprender a lidar com a dor crônica”, defende o reumatologista Fernando Augusto Chiuchetta, coordenador da Comissão de Dor, Fibromialgia e Outras Síndromes Dolorosas de Partes Mole da SBR.
A melhor prevenção é o exercício regular, como acrescenta Eduardo Paiva. “Além disso, evitar o estresse e praticar uma boa higiene do sono, com horários regulados e evitando práticas que possam prejudicar a qualidade do sono são outras práticas importantes que podem evitar a fibromialgia”.
Em meio às dores constantes, Nereida explica que a fé uma das principais fontes de sustentação para continuar enfrentando a doença.
“A minha fé é tudo para mim e para a minha família. Sou só gratidão a Jesus das Santas Chagas e a Nossa Senhora. É o melhor remédio espiritual. Temos muitos momentos de glórias e graças alcançadas em nossas vidas aqui na minha casa”, compartilha Nereida, que é Mensageira de Jesus das Santas Chagas.
A oração, a esperança e a confiança em Deus ajudam Nereida a enfrentar o desânimo e as limitações da rotina. Mesmo diante das dificuldades, ela segue perseverando e em busca do equilíbrio para doença.
Em 12 de maio é celebrado o Dia de Conscientização sobre a Fibromialgia. Saiba mais sobre a doença:
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