O trânsito costuma revelar lados das pessoas que muitas vezes passam despercebidos no restante da rotina. A pressa, a irritação diante de um erro, a dificuldade de esperar alguns segundos a mais ou até a vontade de responder agressivamente a outro motorista acabam aparecendo com facilidade atrás do volante. Isso também diz sobre virtudes, ou a falta delas, no cotidiano.
Foi justamente depois de viver um acidente grave que Márcio Stancatti passou a olhar ainda mais profundamente para essa relação entre direção, fé e confiança em Deus. Morador de Orlando, nos Estados Unidos, ele trabalha com um food truck de caldo de cana e pastéis ao lado da esposa. Em 2023, voltava sozinho de uma cidade vizinha quando bateu o carro contra um caminhão. Segundo ele, naquele dia a esposa decidiu não acompanhá-lo. Depois da colisão, o lado do passageiro ficou completamente destruído.
“Após o acidente, saí do carro e havia muitas pessoas que vieram em minha direção gritando e chorando. Quando dei a volta no veículo, vi o que tinha acontecido. O lado do passageiro, onde estaria a minha esposa, ficou todo amassado. O pessoal se surpreendeu ao me ver sem ferimentos. Os bombeiros me perguntaram quem tinha me tirado do carro e respondi que foi Deus”, afirma.
Márcio conta que saiu do acidente segurando o Terço de Jesus das Santas Chagas nas mãos. A experiência reforçou ainda mais a importância da fé no meio das situações imprevisíveis da vida. “O Sangue de Jesus das Santas Chagas tem poder. E quando O usamos para evangelizar, Ele protege Seus filhos.”
Estamos em um período de reflexão sobre segurança no trânsito. Durante o Maio Amarelo, campanha voltada à conscientização para redução de acidentes, há também um questionamento que vai além das leis e da direção defensiva: o que nossas atitudes no trânsito revelam sobre nós mesmos?
Virtudes como prudência e temperança não devem aparecer apenas em grandes decisões da vida espiritual. Também devem se manifestar em situações comuns do cotidiano, inclusive no trânsito, diante de congestionamentos, atrasos, buzinas e erros de outros motoristas. Exatamente naqueles momentos em que muitas pessoas percebem o quanto é difícil manter a calma. Pequenas reações impulsivas podem rapidamente se transformar em atitudes perigosas.
Por isso, a prudência ocupa um lugar tão importante. Mais do que cautela, significa a capacidade de agir corretamente diante das circunstâncias, sem deixar que a emoção assuma o controle: “O homem prudente vigia os seus passos” (Cf. Provérbios 14,15).
Outro ponto é o domínio próprio. A Carta aos Gálatas, ao falar sobre os frutos do Espírito Santo, cita:
“Amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio de si.” (Gl 5,22-23)
Respeitar limites de velocidade, não dirigir distraído, evitar o celular, não responder agressivamente a provocações e lembrar que existem outras vidas compartilhando a mesma estrada são atitudes que dialogam diretamente com a visão cristã de cuidado com o próximo. Afinal, no trânsito, decisões tomadas em segundos podem afetar famílias inteiras.
Por tudo isso, o Maio Amarelo também pode ser também um convite interior: desacelerar não apenas o carro, mas também as reações. Em muitos casos, um gesto simples de paciência evita conflitos, acidentes e arrependimentos.
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