A fé de Carlo Ancelotti e a devoção a São Pio de Pietrelcina

A fé de Carlo Ancelotti e a devoção a São Pio de Pietrelcina

Antes de cada partida, Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, leva a mão ao bolso, retira um pequeno santinho e o beija duas vezes. A imagem é de São Pio de Pietrelcina e a fé do técnico que abraçou e foi abraçado pelo Brasil deixa muitas lições: “nunca rezo pelo futebol”.

Em entrevista ao jornal italiano Avvenire, ainda em 2009, Ancelotti falou sobre sua fé: “Sou cristão. Deus ajuda você a viver com mais tranquilidade e a dar mais atenção aos menos afortunados”. Sobre o hábito de beijar o santinho antes das partidas, ele explicou várias vezes que não é um amuleto e nem mesmo um pedido por resultado.

“Nunca rezo pelo futebol. Deus tem coisas melhores e mais importantes para fazer. O nosso é um jogo, e depende de nós; se treinamos bem, tudo andará como previsto. Deixemos que Deus se ocupe de outras coisas. Eu creio n’Ele e rezo todos os dias, mas para as coisas ao meu redor, não para o futebol”, disse o treinador.

De Reggiolo a San Giovanni Rotondo

Carlo Ancelotti nasceu em 10 de junho de 1959, em Reggiolo, no norte da Itália, em uma família de camponeses católicos. Foi em casa, com os pais, que recebeu a fé que carrega até hoje. A devoção a São Pio surgiu mais tarde, durante o período em que treinava a Juventus. Um amigo o levou a Pietrelcina, a cidade natal do Santo, e à visita ao quarto onde Padre Pio viveu. Foi conhecendo mais sobre a vida do frade, entre as lutas, os sofrimentos, os relatos de prodígios, que Ancelotti se tornou devoto. Desde então, ele visita anualmente o Santuário de San Giovanni Rotondo, onde estão os restos mortais de Padre Pio, para rezar e agradecer diante do túmulo do Santo.

“Me fascina a vida de Padre Pio. Na Itália alimentamos uma grande devoção por ele, fez muitos milagres e me comovo com sua vida”, disse.

Em sua chegada ao Brasil para assumir a Seleção, a CBF e a Nike presentearam Ancelotti com um quadro de São Padre Pio e materiais personalizados com os dizeres “Serenità e Fé”.

São Pio de Pietrelcina

Nascido Francesco Forgione, em Pietrelcina, na Itália, em 1887, ingressou na Ordem dos Frades Capuchinhos ainda adolescente. Em 20 de setembro de 1918, durante a ação de graças após a Santa Missa, Padre Pio recebeu os estigmas (as Chagas de Cristo Crucificado) nas mãos, nos pés e no lado do corpo. Carregou essas marcas por mais de cinquenta anos, até pouco antes de morrer.

Viveu a maior parte de sua vida no convento de San Giovanni Rotondo, dedicado principalmente ao Sacramento da Confissão. Chegava a passar até quatorze horas por dia no confessionário. Para além dos estigmas, é também atribuído a Padre Pio o dom da bilocação e inúmeras curas e graças que multidões de fiéis testemunharam ao longo de décadas.

São Pio morreu em 23 de setembro de 1968. Foi beatificado em 2 de maio de 1999 e canonizado em 16 de junho de 2002 pelo Papa João Paulo II — uma cerimônia que reuniu mais de 300 mil pessoas na Praça de São Pedro. Na ocasião, o Pontífice destacou o ensinamento central de sua vida: o sofrimento, quando aceito com amor, “pode levar a um caminho privilegiado de santidade”. Desde então, é chamado São Pio de Pietrelcina, com festa litúrgica celebrada em 23 de setembro.

Fé como alicerce, não como atalho

O beijo no santinho, repetido antes de cada jogo, é um gesto de pertencimento, de lembrança de quem se é, independentemente do resultado. Para o torcedor católico que acompanha a Seleção nesta Copa, há algo de inspirador nisso: a fé não faz parte de estratégia do jogo. Não é preciso prometer nada a Deus para “merecer” uma vitória. Basta, como ensina a vida de Padre Pio, e como vive Ancelotti, manter a fé presente e constante, deixando que  sustente a vida, dentro e fora do campo.

Para quem deseja viver o torneio sem deixar de lado a espiritualidade, pode baixar a tabela da Copa do Mundo para preencher com os resultados dos jogos AQUI

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