Mês das Vocações: vocação profissional e vocação cristã são a mesma coisa?

Mês das Vocações: vocação profissional e vocação cristã são a mesma coisa?

Agosto é o Mês Vocacional da Igreja no Brasil, um tempo dedicado “à oração, à reflexão e à promoção das diversas vocações presentes na vida da Igreja”. A cada domingo do mês, a Igreja direciona a atenção para uma vocação específica: o ministério sacerdotal, a vida religiosa, o laicato e, no último domingo, o serviço catequético.

Toda vocação, de cada fiel no mundo, nasce do mesmo chamado. “Há um Deus que chama, que convoca e propõe algo de concreto: dar um sentido à própria existência”, afirma a CNBB.  A vocação cristã não concorre com a vocação profissional e elas devem apontar para a mesma direção.Muita gente trata as duas como mundos separados. O trabalho de um lado. A fé do outro. A pergunta “o que devo fazer da minha vida?” deve incluir também, “o que Deus quer de mim?”

Estas reflexões ajudam a organizar os pensamentos sobre esse tema:

1. O que você faz que faz o tempo passar sem perceber?

O que genuinamente absorve sua atenção? Os talentos, como Jesus ensina na parábola dos talentos (Mt 25,14-30), não foram dados para ficarem escondidos. São pistas de Deus sobre quem você é.

2. Quando você serve, o que acontece dentro de você?

A vocação cristã sempre tem dimensão de serviço. “O maior entre vós será vosso servidor” (Mt 23,11). Observe o que acontece quando você ajuda alguém com uma habilidade específica sua. Alívio? Satisfação? Esgotamento? As três respostas dizem algo diferente.

3. O que as pessoas ao seu redor dizem que você faz bem mesmo sem esforço?

Às vezes os outros enxergam nossos dons antes de nós. Perguntar a pessoas de confiança o que elas percebem em você é um exercício espiritual sério.

4. O que você faria mesmo sem ser pago?

A pergunta clássica, mas com olhar  cristão: não se trata só de paixão, mas de gratuidade. A vocação tem algo de dom. 

5. Onde sua presença faz falta quando você não está?

A vocação não é só sobre o que você faz, mas o que muda quando você está lá. Em que ambiente, comunidade ou situação você percebe que sua ausência seria uma perda real?

6. O que você evita por medo e não por falta de interesse?

O medo é um dos sinais mais confusos na busca vocacional. Às vezes o que mais assusta é exatamente o que mais chama. O profeta Jeremias resistiu ao chamado: “Não sei falar, sou ainda jovem” (Jr 1,6). Deus respondeu: “Não digas: sou jovem.”

7. Quando você reza, o que aparece?

Esta é a pergunta que as outras seis precisam. O discernimento vocacional cristão não se faz só com análise , mas com oração, com silêncio, com exposição à Palavra. O que surge quando você para e escuta?

Essas perguntas são sugestões de reflexão e o discernimento vocacional é um processo. Se essas questões mexeram com algo em você, o próximo passo é conversar com alguém preparado para acompanhar esse caminho, um diretor espiritual, um padre de confiança ou um orientador com formação adequada. O IDe+ já explicou o que é direção espiritual e como encontrar um diretor. Leia: Você sabe o que é direção espiritual?

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