Em agosto de 1996, Padre Alejandro Pezet colocou uma hóstia descartada numa tigela com água e a guardou no sacrário de uma capelinha em Buenos Aires. Esperava que ela se dissolvesse. Oito dias depois, ao abrir o sacrário, encontrou uma substância sangrenta, que fotografou e relatou ao então Bispo auxiliar Jorge Bergoglio. E o que veio a seguir levaria três anos, dois continentes e um dos cardiologistas forenses mais respeitados dos Estados Unidos para chegar a uma conclusão que ele próprio admitiu não saber explicar. Esse é um dos milagres eucarísticos mais documentados da história recente.
E Ferrara, em 1171, guarda outro: uma hóstia que sangrou no teto de uma basílica e cujas marcas ainda estão lá, oito séculos depois. Dois eventos estudados por historiadores, teólogos e cientistas e nenhum deles encontrou uma resposta satisfatória.
O Padre Pezet celebrava a Missa no centro comercial de Buenos Aires na noite de 18 de agosto de 1996. Ao término da comunhão, uma fiel informou que havia encontrado uma hóstia descartada num castiçal no fundo da igreja. Impossibilitado de consumi-la naquele estado, o Padre a colocou em água e a depositou no sacrário da capelinha do Santíssimo Sacramento.
Oito dias depois, a hóstia havia se transformado numa substância sangrenta. O Cardeal Bergoglio, então Arcebispo de Buenos Aires, ordenou que um fotógrafo profissional registrasse o ocorrido e determinou o início de uma investigação formal. Durante três anos, a hóstia permaneceu no sacrário sem sofrer decomposição visível.
Em 5 de outubro de 1999, Dr. Ricardo Castañon Gomez retirou uma amostra e a enviou para análise em Nova York sem revelar a origem do material. O laboratório foi informado apenas de que se tratava de uma substância de origem desconhecida e um dos cientistas designados foi o Dr. Frederick Zugibe, cardiologista e patologista médico-legal de reputação internacional.
O resultado era tecido do miocárdio, músculo do ventrículo esquerdo do coração humano, com glóbulos brancos íntegros e em movimento durante o exame, como se a amostra tivesse sido retirada de um coração ainda vivo. Só então Zugibe foi informado da origem da amostra.
“Não há nenhum modo de explicar esse fato cientificamente. Se essa amostra provém de uma pessoa morta, por que razão as células estavam em movimento e pulsavam durante o exame?”, declarou.
Laboratórios independentes em Sydney e Nova York confirmaram: tecido cardíaco humano, sangue tipo AB, com características de atividade celular viva, em uma hóstia que havia ficado imersa em água por anos.
Era domingo de Páscoa, 28 de março de 1171. Na pequena Igreja de Santa Maria in Vado, em Ferrara, norte da Itália, o Padre Pietro da Verona celebrava a Missa da Ressurreição com três irmãos: Bono, Leonardo e Aimone. No momento em que partiu a hóstia consagrada, jorrou dela um fluxo de sangue que tingiu a pequena abóbada acima do altar.

Interior da Igreja de Santa Maria in Vado, em Ferrara. Foto: Gaia Conventi / Shutterstock.com
As narrações históricas descrevem o “sagrado terror do celebrante e a imensa maravilha do povo apinhado na igrejinha”. O Bispo Amato de Ferrara e o Arcebispo Gherardo de Ravena foram ao local e verificaram pessoalmente os sinais do milagre.
O registro mais antigo é o manuscrito do historiador Gerardo Cambrense, datado de 1197 e conservado na Biblioteca Lambethiana de Canterbury, na Inglaterra. Em 1404, o Cardeal Migliorati emitiu um Breve concedendo indulgências a quem visitasse a igreja. Em 1442, o Papa Eugênio IV emitiu uma bula pontifical reconhecendo o prodígio – cujo original foi encontrado em Roma, no ano de 1975.
A abóbada manchada de sangue foi encerrada em 1595 num pequeno templo construído dentro da Basílica de Santa Maria in Vado. Ali permanece até hoje visível a qualquer peregrino que visite Ferrara. Passou por 853 anos.
O contexto doutrinal do milagre é que, naquela época, a heresia de Berengário de Tours questionava a presença real de Cristo na Eucaristia. O milagre de Ferrara, que é o mais antigo milagre eucarístico com derramamento de sangue documentado, surgiu nesse momento de crise doutrinal.
A Igreja não obriga os fiéis a crerem em nenhum milagre além dos contidos na Revelação. O que é artigo de fé obrigatório é a doutrina da transubstanciação: após as palavras da consagração, o pão e o vinho se tornam verdadeiramente o Corpo e o Sangue de Cristo (CIC § 1376, Vatican.va). Para a tradição da Igreja, eles são sinais que tornam visível o que a fé já afirma.
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