Parque Yanweizhou na época das chuvas de monção: ajuda para conter enchentes./Foto: reprodução.
Grandes enchentes vêm acompanhadas, muitas vezes, de textos que usam passagens bíblicas para anunciar julgamentos divinos ou punições coletivas. Esse tipo de conteúdo circula rápido, mistura citações reais com interpretações equivocadas e aumenta o pânico quando as pessoas mais precisam de serenidade para tomar decisões seguras. Por isso, informação confiável, com fontes precisas e verificadas, é essencial. O que a Bíblia realmente ensina sobre inundações?
O relato mais conhecido das Escrituras sobre enchentes é o do dilúvio de Noé. E o sinal mais importante desse relato não é o arco-íris que vem depois. Em Gênesis 9,11, Deus faz uma aliança com Noé e com toda a humanidade: “Jamais tornarei a enviar um dilúvio para destruir toda carne”. Usar as Escrituras para espalhar terror diante de enchentes contradiz exatamente o que o texto afirma.
A Arquidiocese de Sorocaba, em análise baseada no Catecismo da Igreja Católica, explica que o relato do dilúvio no Gênesis “foi usado para transmitir a superação do tempo cíclico, a promessa divina da salvação e a aliança com as nações”. Ou seja, a Bíblia traz essa mensagem sobre a fidelidade de Deus e sua aliança com a humanidade.

O Catecismo da Igreja Católica, no número 2447, lista o abrigo dos desabrigados entre as obras de misericórdia corporais. Em momentos de enchente, a fé católica chama à ação caridosa e ao juízo prudente.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou em 21 de setembro de 2026 uma classificação de grande perigo climático para 708 cidades dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O alerta prevê acumulados que ultrapassam 60 milímetros em uma hora ou marcas diárias superiores a 100 milímetros, somados a ventos que superam 100 km/h e risco de granizo. Esse é o nível máximo de severidade nos registros do órgão.
Gabinetes integrados de gerenciamento de desastres regionais concentram orientações aos municípios em áreas com risco de inundação, e municípios em alerta já recebem mapas com manchas de inundação.
Segundo o Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado pelo Inmet, a probabilidade de o El Niño se manter ativo pelo menos até o início de 2027 é de 100%. A possibilidade de alcançar a categoria “muito forte”, quando o aquecimento das águas do Oceano Pacífico supera 2°C, é elevada. Historicamente, no Brasil, a Região Sul é a que mais sente os efeitos do El Niño, com previsão de maior frequência de chuvas acima da média, temporais, cheias de rios, enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.
O Inmet aponta que o El Niño continuará até o início de 2027, com forte probabilidade de atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão. O boletim alerta que a situação exige “atenção especial”, já que a região não apresenta déficit hídrico, ou seja, o solo já tem bastante água, diminuindo sua capacidade de absorção e favorecendo o transbordamento dos rios e inundações depois de chuvas mais intensas.
De acordo com o Boletim nº 3 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em 1º de setembro pelo Inmet em conjunto com Inpe, ANA, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam, as previsões climáticas para o trimestre setembro-outubro-novembro indicam, na Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, maior probabilidade de volumes de chuva acima da média histórica.
Algumas orientações da Defesa Civil para a prevenção contra as tempestades são manter distância de árvores, não atravessar ruas alagadas ou com enxurradas e evitar atividades náuticas. Além disso, os moradores de áreas de risco devem permanecer atentos aos sinais que antecedem os deslizamentos de terra, como rachaduras nas paredes, e postes e árvores inclinados.
Em caso de emergências, informações devem ser consultadas junto à Defesa Civil, pelo telefone 199, e ao Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
Os órgãos responsáveis pelo monitoramento publicam atualizações diárias. As fontes oficiais são o Instituto Nacional de Meteorologia (portal.inmet.gov.br), a Defesa Civil do seu estado e o aplicativo de alertas da Defesa Civil Nacional.
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