Desde o dia 23 de setembro de 2026, brincar ao ar livre, frequentar áreas verdes e ter contato direto com a terra são direitos formalmente reconhecidos para crianças e adolescentes no Brasil. A Lei nº 15.512/2026, apelidada de ECA Ambiental, altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, Lei nº 8.069/1990) e estabelece que o acesso a ambientes saudáveis e a educação baseada na natureza têm prioridade absoluta, devendo orientar políticas públicas de planejamento urbano e de educação. A lei é nova, mas o princípio que ela formaliza não é. Entenda o que a Bíblia diz sobre a relação humana com a criação.
Desde as primeiras páginas do Gênesis, o ser humano aparece como guardião do mundo natural, não como seu dono. Em Gênesis 2,15:
“O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para cultivar o solo e o guardar.”
O verbo guardar, em hebraico shamar, que também significa proteger e zelar, indica responsabilidade ativa, não passividade diante da criação. O Salmo 24,1 reforça o enquadramento:
“Do Senhor é a terra e tudo o que ela contém, o mundo e aqueles que nele habitam”.
A terra pertence a Deus; o ser humano é administrador, não proprietário absoluto e essa distinção tem consequências, pois o que se administra com responsabilidade, cuida-se, e o que se trata como posse irrestrita, devasta-se.
Em 2015, Papa Francisco publicou a encíclica Laudato Si, dedicada inteiramente ao cuidado da casa comum. O documento parte de Gênesis 2,15 para afirmar que cabe ao ser humano “cultivar e guardar” o jardim do mundo, e que essa vocação inclui a responsabilidade de transmitir esse compromisso às gerações seguintes.
“Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?”, pergunta o parágrafo 160 da encíclica.
A resposta, segundo Papa Francisco, começa pela educação. A Laudato Si afirma que toda mudança real precisa de um caminho educativo, e que todos os ambientes formativos: a escola, a família, os meios de comunicação, a catequese estão envolvidos nesse processo (n. 213) como uma forma de ver o mundo que precisa ser vivida, não apenas ensinada.
Algumas escolas já tinham transformado essa visão em rotina, em Curitiba, duas unidades Maristas mostram como o contato cotidiano com a natureza muda o aprendizado e a criança. No Marista Escola Social Curitiba, na Cidade Industrial, uma área verde preservada dentro do terreno da escola integra o dia a dia da Educação Infantil desde o início.
“Para os pequenos, explorar a mata, sentir a textura das folhas e estar ao ar livre dentro da escola promove calma, curiosidade e desenvolvimento integral, garantindo um direito fundamental em uma região predominantemente urbana”, explica Taíssa Nunes, coordenadora pedagógica da unidade.
No Marista Escola Social Esperança, no bairro Prado Velho, o espaço vai além: há árvores, jardim e um galinheiro que acompanham os alunos da Educação Infantil aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental.
“Conviver em meio à natureza, vivenciar atividades nos jardins, subir e explorar árvores do bosque, acompanhar o dia a dia do galinheiro transforma o aprendizado em algo vivo. O brincar livre em contato com o meio ambiente reduz o estresse, ajuda na concentração e desenvolve a empatia.”, diz Ricardo Nardino Sartorato, diretor da escola.
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