Arte, fé e negócio: como Jessica Perciak evangeliza pintando jaquetas católicas

Arte, fé e negócio: como Jessica Perciak evangeliza pintando jaquetas católicas

Jessica Perciak não planejou ser artista e nunca tinha pintado na vida. Quando tudo começou, foi, nas palavras dela, “do jeito mais errado”. Agora, ela tem quase 25 mil seguidores no Instagram e uma fila de espera de até 60 dias para as peças. “A menina que evangeliza pintando”, como resume seu perfil da redes social. Conheça a história inspiradora da empreendedora católica!

Do arrependimento à vocação

O relato começa antes da fé, ou melhor, num momento em que a fé estava adormecida. Jessica se define como “católica de berço, mas era uma vida mais fora do catolicismo do que dentro”. Nesse período, ela “pichava” jaquetas com estética urbana. Depois vieram os encontros com Deus, a conversão e um dilema sobre o que fazer com aquelas peças.

Resolvi tampar o que eu tinha feito“, conta. A solução foi cobrir as jaquetas com pinturas de tema católico. A primeira tinha um desenho abstrato. A segunda levou mais tempo. E por muito tempo ela recusou os pedidos de amigos que queriam o mesmo.

A ideia era só consertar as minhas peças e não era jamais trabalhar com isso. Porque eu nunca pintei na vida“, lembra, com humor. Mas a insistência veio de todos os lados – amigos, familiares, até pessoas desconhecidas nas redes sociais que diziam que a sua forma de evangelizar era linda. Com o tempo, a resistência cedeu. “Viralizou na internet e eu não parei mais. Hoje é oficialmente meu trabalho“.

A primeira jaqueta pintada como conserto

Dez anos de eventos, uma pandemia e um recomeço

Antes das jaquetas, Jessica tinha uma trajetória profissional consolidada. Durante dez anos, comandou uma empresa de decoração de eventos – casamentos, festas de quinze anos, celebrações de todo tipo. Era um negócio que ela conhecia bem e que lhe dava sustento. A pandemia encerrou esse capítulo e o que parecia o fim de uma carreira acabou sendo o espaço que Deus abriu para o começo de outra.

Jessica trabalha sozinha e faz tudo: recebe o pedido, seleciona o material, pinta, embala e entrega. A fila de espera chegou a 40, 50 e 60 dias. A demanda superou qualquer planejamento inicial.

“Hoje vejo meu maior desafio como o tempo para dar conta das jaquetas, mas também encontrar produtos de qualidade”, conta.

O planejamento veio com a prática e com apoio. Seu marido foi o primeiro a acreditar. “Ele me acompanhou por anos, me ouvindo dizer que eu não tinha dom algum, que eu não me encontrava em nada profissionalmente“.

Depois, vieram a família e os amigos. “Deus foi muito generoso comigo, me confirmando por meio de cada pessoa que eu seria feliz trabalhando com a arte católica e ao mesmo tempo evangelizando“. As jaquetas são sua única fonte de renda e os clientes, ela descreve com gratidão.

“Graças a Deus tenho clientes incríveis e que acompanham meu trabalho e têm paciência para esperar.”

Importância do serviço

Junto do marido, a empreendedora católica serve na Pastoral da Comunicação e no movimento Treinamento de Liderança Cristã da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Fazenda Rio Grande (PR). Ela também canta no coral e faz arranjos florais para a paróquia, uma habilidade que veio da época da empresa de eventos, mas que agora “é só para Deus”.

“Nossa vida de oração hoje é muito mais forte que ontem, mas ainda é pouco perto do que Jesus fez por nós e ainda faz”, reflete.

Para quem quer empreender com fé

Para mulheres que buscam construir um negócio a partir de um propósito espiritual, Jessica tem uma única dica:

“Não tenha medo! Se Deus nos dá sinais que vai dar certo, é porque vai! Tudo que tem Deus nunca dá errado, porque colocamos Ele como prioridade em tudo, para decidir tudo antes de nós.”

O maior sonho já começou

Em meio a pedidos, há uma novidade que ela guarda com muito cuidado. Depois de oito anos e meio de casamento, Jessica está grávida do primeiro filho.

“Essa foi mais uma prova do amor de Jesus por minha família. Ele foi me moldando, moldando meu tempo para que fosse todo d’Ele e, assim, também da minha família. Hoje já consigo pensar que estarei 100% do ladinho do meu filho ou filha quando chegar. Graças ao meu trabalho e graças a Deus!”

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