Quais são os quatro dogmas Marianos e o que a Igreja Católica ensina sobre eles?

Quais são os quatro dogmas Marianos e o que a Igreja Católica ensina sobre eles?

Dogma é uma verdade de fé revelada por Deus e definida solenemente pela Igreja como tal, ou seja, uma afirmação que todo católico é chamado a crer com fé firme. Em relação à Virgem Maria, a Igreja definiu ao longo dos séculos quatro dogmas que formam o núcleo da doutrina Mariana. Cada um responde a uma verdade sobre quem Maria é, o que Deus realizou n’Ela e o destino que Lhe preparou. Juntos, nos apresentam a importância da Mãe do Senhor e a profundidade do mistério da salvação.

Maternidade Divina: Maria é Mãe de Deus

Definido pelo Concílio de Éfeso em 431 d.C.

O primeiro e mais fundamental dos dogmas Marianos afirma que Maria é verdadeiramente Theotókos, Mãe de Deus. Além de honra concedida a Ela, o título é uma afirmação sobre Cristo: se Jesus é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, e se Maria é Sua Mãe, então ela é Mãe de Deus.

O Concílio de Éfeso definiu o dogma em resposta à heresia de Nestório, que sustentava que Maria seria apenas Mãe do ser humano Jesus e não do Filho de Deus. A Igreja rejeitou essa posição: em Jesus, as duas naturezas, divina e humana, estão unidas numa única pessoa. O que Maria gerou em Seu seio foi esse único e mesmo Filho, que é Deus e homem.

Papa Bento XVI, em catequese de 2008, explicou: “Do título de ‘Mãe de Deus’ derivam depois todos os outros títulos com que a Igreja honra Nossa Senhora, mas este é o fundamental”. Ou seja: os demais dogmas Marianos têm sua raiz e sua lógica na Maternidade Divina.

O Concílio de Calcedónia, em 451, confirmou que Cristo foi declarado “verdadeiro Deus e verdadeiro homem (…) nascido de Maria Virgem e Mãe de Deus, na Sua humanidade, para nós e para a nossa salvação”.

Virgindade Perpétua: Maria foi sempre virgem

Crença constante da Igreja, solenemente afirmada ao longo dos séculos

A Igreja ensina que Maria foi virgem antes do parto, no parto e depois do parto e, por isso, a expressão virgindade perpétua. Esse dogma afirma que a concepção de Jesus se deu pelo poder do Espírito Santo, sem intervenção de homem, e que Maria permaneceu virgem para o resto de sua vida.

Papa João Paulo II, na encíclica Redemptoris Mater (1987), afirma que Maria “Se tornou a genetriz do Filho que Lhe foi dado pelo Pai com o poder do Espírito Santo, conservando íntegra a Sua virgindade”.

A Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, de Pio XII, publicada no Vatican.va em 1950, descreve Maria como “sempre virgem, na sua maternidade divina”. A virgindade tem a ver com a consagração total a Deus e sua vocação singular na história da salvação.

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Imaculada Conceição: Maria foi concebida sem pecado original

Definido pelo Papa Pio IX na Bula Ineffabilis Deus, em 8 de dezembro de 1854

A Imaculada Conceição afirma que Maria, desde o primeiro instante de Sua concepção no seio de Sua mãe, foi preservada de qualquer mancha do pecado original, em virtude dos méritos futuros de Jesus Cristo.

É fundamental distinguir: a Imaculada Conceição não se refere à concepção virginal de Jesus por Maria, mas à concepção de Maria por sua mãe, Sant’Ana. É Maria quem foi concebida de forma imaculada e não Jesus, que enquanto Filho de Deus não estava sujeito ao pecado original.

Papa Bento XVI, em homilia de 8 de dezembro de 2004, evocou a grandeza desse mistério:

“Como é grandioso o mistério da Imaculada Conceição, que a Liturgia hodierna nos apresenta! Mistério que não cessa de atrair a contemplação dos fiéis e inspira a reflexão dos teólogos.”

A lógica teológica deste dogma foi explicada por Bento XVI em catequese de 2008: “Maria foi preservada de qualquer mancha de pecado porque devia ser a Mãe do Redentor”. Ela foi, desde o primeiro instante, preparada por Deus para acolher em Seu seio o Filho eterno.

O dogma não significa que Maria não precisou da redenção de Cristo, pois Ela foi redimida de forma ainda mais sublime: preventivamente, em antecipação à Morte e Ressurreição do Seu Filho.

Assunção de Maria e elevação ao Céu em corpo e alma

Definido pelo Papa Pio XII na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, em 1 de novembro de 1950

O último dogma Mariano a ser definido afirma que, ao fim de Sua vida terrena, Maria foi elevada em corpo e alma à glória do Céu. Ao contrário dos outros dogmas, a Munificentissimus Deus não especifica se Maria morreu antes de ser assunta, deixando em aberto a questão da morte de Nossa Senhora.

Pio XII proclamou solenemente:

“A augustíssima Mãe de Deus, associada a Jesus Cristo de modo insondável desde toda a eternidade (…) imaculada na Sua concepção, sempre virgem, na Sua maternidade divina (…) alcançou por fim, como suprema coroa dos Seus privilégios, que fosse preservada da corrupção do sepulcro, e que, à semelhança do Seu divino Filho, vencida a morte, fosse levada em corpo e alma ao Céu.”

A Assunção não é o mesmo que a Ascensão de Cristo, pois Jesus subiu ao Céu por Seu próprio poder divino e Maria foi elevada por Deus. É a distinção entre ascensão e assunção, pois uma é poder, a outra é graça.

Papa Paulo VI, na Exortação Apostólica Marialis Cultus (1974), descreveu a solenidade de 15 de agosto como “festa do Seu destino de plenitude e de bem-aventurança, da glorificação da Sua alma imaculada e do Seu corpo virginal, da Sua perfeita configuração com Cristo Ressuscitado.”

Bento XVI sintetizou a lógica da Assunção: “Aquela que tinha gerado o Salvador não podia estar sujeita à corrupção derivante do pecado original”.

 

Os quatro dogmas como unidade

Os quatro dogmas Marianos formam uma unidade coerente: Maternidade Divina é o fundamento de tudo; a Virgindade Perpétua expressa a consagração total de Maria a Deus; e a Imaculada Conceição é a preparação divina para que Ela acolhesse o Filho. Já a Assunção é o destino de glorificação que Deus reservou Àquela que foi, desde o princípio, a mais próxima do Seu Filho.

Como escreve Pio XII na Munificentissimus Deus, Maria foi associada a Jesus Cristo “com um único decreto de predestinação” e os quatro dogmas são o mapa dessa predestinação singular, revelada progressivamente pela Igreja ao longo de dezesseis séculos de fé e contemplação.

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