Cinco curiosidades sobre a Exaltação da Santa Cruz

Cinco curiosidades sobre a Exaltação da Santa Cruz

A Cruz, antes de ser símbolo cristão, era instrumento de execução reservado pelo Império Romano aos criminosos mais desprezados. O que a festa de 14 de setembro celebra é a mudança: o mesmo madeiro que representava humilhação e morte tornou-se, pela Ressurreição de Cristo, sinal de vitória, esperança e redenção. A Exaltação da Santa Cruz é uma festa de triunfo.

O Evangelho do dia resume tudo numa frase de Jesus:

“Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos os homens a mim” (João 12,32).

Cinco curiosidades sobre a Exaltação da Santa Cruz

1. A festa tem duas origens

A celebração nasceu de dois eventos históricos distintos que, com o tempo, ficaram associados ao dia 14 de setembro. O primeiro foi a dedicação da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém, consagrada em 13 de setembro de 335 pelo imperador Constantino e, no dia seguinte, 14 de setembro, a relíquia da Cruz encontrada por Santa Helena foi exposta à veneração dos fiéis. O segundo evento foi em 629, quando o imperador Heráclio recuperou a relíquia da Vera Cruz, levada pelos persas em 614, e a restituiu solenemente a Jerusalém, conforme registra o Vatican News.

2. A Cruz foi roubada e recuperada numa guerra

Em 614, o rei persa Cosroes II invadiu Jerusalém e levou consigo, entre outros tesouros, a relíquia da Vera Cruz. O imperador romano Heráclio propôs paz – Cosroes recusou. Heráclio entrou em guerra, venceu perto de Nínive e exigiu a devolução da Cruz. Em 629, a relíquia voltou a Jerusalém num cortejo solene. Esse episódio histórico está na origem da segunda camada de significado da festa de 14 de setembro.

3. Ela é anterior à maioria das festas do calendário litúrgico ocidental

A Exaltação da Santa Cruz é celebrada no Oriente cristão desde o século IV, muito antes de a maioria das festas do calendário romano serem instituídas. No Ocidente, a celebração chegou gradualmente, e só após a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II ganhou o grau de Festa universal, com precedência sobre o tempo comum, inclusive sobre o domingo, caso coincidam.

4. O nome “exaltação” tem dois sentidos

Em latim, exaltatio significa tanto “elevar” quanto “glorificar”. A palavra captura o duplo movimento do mistério: Cristo foi literalmente elevado na Cruz, e é precisamente por esse ato de entrega que foi glorificado pelo Pai. São Paulo articula isso na carta aos Filipenses, lida na liturgia de hoje:

“Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso também Deus O exaltou” (Filipenses 2,8-9).

5. No Oriente, a Cruz é saudada com flores

Nas Igrejas Orientais católicas e ortodoxas, a Exaltação da Santa Cruz é celebrada com solenidade equivalente à Páscoa. Em muitas comunidades orientais, o costume é decorar a Cruz com flores e ervas aromáticas durante a celebração litúrgica, gesto que remete à tradição de adornar com flores os lugares sagrados como sinal de alegria e vitória.

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