“O nosso coração é inquieto, até repousar em ti.” A frase é de Santo Agostinho, nas Confissões (Livro I, 1), e foi escrita no século IV como uma oração em uma confissão direta a Deus de que nenhuma criatura sacia o coração humano a não ser o próprio Criador. No Dia de Finados, é importante reafirmar que é nesse repouso que a Igreja acredita estarem os que morreram na graça de Deus e é por esse repouso que rezamos pelos que ainda podem precisar de nossos sufrágios.
No dia 2 de novembro, a Igreja Católica celebra a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos. Desde o século XI, quando o Abade Odilo de Cluny instituiu a memória dos mortos em toda a cristandade, fiéis se reúnem para rezar pelos que partiram e confiar suas almas à misericórdia divina. Rezar é um ato de amor concreto e a crença na comunhão dos santos afirma que os vivos e os mortos permanecem unidos em Cristo, de modo que as nossas orações alcançam aqueles que já partiram.
“Desde os primeiros tempos, a Igreja honrou a memória dos mortos e ofereceu sufrágios em seu favor” (CIC, n. 1032).
veja agora três orações para rezar por quem já partiu.
A mais antiga e reconhecida oração litúrgica pelos mortos, presente no Missal Romano. É a antífona de entrada da Missa de Réquiem, rezada nos funerais e nas Missas pelos defuntos em todo o mundo:
Requiem æternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.
Requiescant in pace.
Amen. (em latim)Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno,
e brilhe para eles a luz perpétua.
Descansem em paz. Amém.
É a Coleta oficial da Missa de 2 de novembro, conforme o Missal Romano. Nela, a Igreja pede a Deus que acolha aqueles que morreram na esperança da ressurreição:
Ó Deus, glória dos fiéis e vida dos justos, que nos remistes pela morte e ressurreição do vosso Filho, concedei benigno aos nossos irmãos e irmãs defuntos, que creram no mistério da ressurreição, alcançar as alegrias da bem-aventurança eterna. Por Cristo nosso Senhor. Amém.
Rezado pela Igreja nas Vésperas e nas comemorações pelos mortos desde pelo menos o século VI, quando a Regra de São Bento o inseriu na oração litúrgica diária. É a oração da alma que clama a Deus da própria fragilidade e encontra no perdão divino a única esperança. A Igreja o associa especialmente à intercessão pelas almas do purgatório:
Das profundezas clamo a ti, ó Senhor;
Senhor, escuta a minha voz!
Estejam atentos os teus ouvidos
à minha voz suplicante.Se levares em conta as iniquidades, Senhor,
quem poderá subsistir?
Mas contigo está o perdão,
para que sejas temido.Confio no Senhor;
minha alma confia na sua palavra.
Minha alma aguarda o Senhor
mais do que as sentinelas aguardam a aurora.Mais do que as sentinelas aguardam a aurora,
aguarde Israel o Senhor.
Porque com o Senhor está a bondade,
e nele está a redenção abundante;
e ele redimirá Israel
de todas as suas iniquidades.
A oração de sufrágio pelos que já partiram é “a melhor ajuda espiritual que podemos oferecer pelas suas almas”, nas palavras do Papa Francisco no Angelus do Dia de Finados de 2014. Neste 2 de novembro, a Missa é o ato mais completo de intercessão pelos mortos. Mas uma oração rezada com fé, onde quer que se esteja, já é um gesto de amor que atravessa a fronteira entre os vivos e os que descansam em Deus.
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