Dia dos Apóstolos: o que aconteceu com cada um deles?

Dia dos Apóstolos: o que aconteceu com cada um deles?

Doze Apóstolos, doze homens, pescadores, coletores de impostos, um zelota, um traidor… Nenhum deles era óbvio para a missão que receberam e todos, com uma única exceção, pagaram com a própria vida por aquilo em que acreditavam. O que aconteceu com cada um deles?

As respostas vêm dos primeiros historiadores da Igreja – Eusébio, Tertuliano, Irineu, Jerônimo – e de tradições locais antigas compiladas. É importante esclarecer que as datas são aproximadas e “de forma alguma definitivas” e as tradições sobre os martírios foram reunidas em grande parte na Legenda Áurea, do século XIII. O que a Igreja preservou foi o testemunho de que todos, com exceção de João, a quem Jesus entregou Sua Mãe, pagaram com sangue a fidelidade ao Evangelho.

Pedro, crucificado de cabeça para baixo em Roma

O primeiro Papa foi martirizado em Roma, provavelmente entre os anos 64 e 67 d.C., durante as perseguições do imperador Nero. Pedro pediu para ser crucificado de cabeça para baixo por não se considerar digno de morrer como seu Senhor e foi martirizado na colina Vaticana. A Basílica de São Pedro, no Vaticano, está erguida sobre o local onde ele foi sepultado.

Paulo, decapitado em Roma

Paulo, o “Apóstolo dos Gentios”, não fazia parte dos Doze originais, mas é reconhecido pela Igreja como Apóstolo por excelência. Após sua conversão dramática no caminho de Damasco, tornou-se o maior evangelizador do mundo antigo. Foi decapitado em Roma, nas chamadas Três Fontes, provavelmente por volta do ano 67 d.C., durante as mesmas perseguições neronianas. Seus restos mortais repousam na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma.

Tiago Maior, primeiro mártir entre os Doze

Irmão de João, foi o primeiro Apóstolo a morrer, por volta do ano 44 d.C. Os Atos dos Apóstolos registram com precisão: foi “morto à espada” por ordem do rei Herodes Agripa, em Jerusalém (cf. Atos dos Apóstolos 12,1-2). A tradição afirma que seu corpo foi levado para a Espanha e hoje repousa na Catedral de Santiago de Compostela, destino de uma das peregrinações mais antigas do mundo cristão.

João, o único que não foi martirizado

Único dos Doze que, segundo a tradição, morreu de morte natural. Sofreu perseguição, foi lançado em óleo fervente em Roma, segundo relatos antigos, mas sobreviveu. Morreu em idade avançada em Éfeso, na atual Turquia e seus restos mortais repousam na Basílica de São João, em Éfeso.

André, crucificado em forma de X

Irmão de Pedro e primeiro discípulo chamado por Jesus, foi crucificado num madeiro em forma de X (crux decussata ou Cruz de Santo André) em Pátras, na Grécia. Condenado à morte por ter convertido a esposa de um governador pagão, levou três dias para morrer e nunca parou de pregar. As suas relíquias repousam na Catedral de Amalfi, na Itália.

Bartolomeu, esfolado vivo e decapitado

Também chamado Natanael, pregou o Evangelho na Armênia e foi martirizado em Albanópolis. A tradição afirma que foi esfolado vivo e depois decapitado, o que o tornou, padroeiro dos curtidores. As suas relíquias estão na Basílica de São Bartolomeu, na Ilha Tiberina, em Roma.

Mateus, martirizado na Etiópia

O coletor de impostos que se tornou evangelista levou a Boa-Nova ao norte da África e foi martirizado na Etiópia. A tradição afirma que o rei Hírtaco ordenou sua decapitação após Mateus ter convertido Ifigênia, filha do rei anterior. Seus restos mortais estão na Catedral de Salerno, na Itália.

Tomé, traspassado por uma lança na Índia

Famoso pela dúvida que se tornou confissão de fé, Tomé pregou o Evangelho até a Índia, onde foi martirizado em Mylapore, hoje um bairro de Chennai, traspassado por uma lança. A Igreja Católica da Índia, uma das mais antigas do mundo, reivindica suas origens nesse apostolado. Suas relíquias repousam na Catedral de São Tomé, em Mylapore.

Filipe, crucificado em Hierápolis

Pregou com Bartolomeu e encontrou seu fim em Hierápolis, na atual Turquia. Segundo a tradição, foi crucificado de cabeça para baixo, possivelmente a seu próprio pedido, em memória da morte de São Pedro. Suas relíquias são veneradas junto às de Tiago Menor na Basílica dos Santos Apóstolos, em Roma.

Tiago Menor, atirado do Templo e apedrejado

Conhecido pela comunidade primitiva como “o Justo”, foi lançado do pináculo do Templo de Jerusalém por ordem do Sinédrio. Sobreviveu à queda e começou a rezar por seus agressores, mas foi então apedrejado e golpeado por um lavadeiro. As suas relíquias estão na Basílica dos Santos Apóstolos, em Roma.

Simão Zelote e Judas Tadeu, martirizados juntos no Irã

Os dois pregaram o Evangelho juntos e foram martirizados no atual território do Irã. A tradição afirma que Tadeu foi espancado até a morte enquanto Simão foi serrado ao meio. Suas relíquias repousam sob um dos altares da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Matias, escolhido para substituir Judas

Eleito pelos demais apóstolos para ocupar o lugar de Judas após a traição (cf. Atos dos Apóstolos 1,26), Matias pregou o Evangelho e foi martirizado — crucificado, segundo algumas fontes, apedrejado segundo outras — provavelmente na Judeia. As suas relíquias são veneradas na Abadia de São Matias, em Trier, na Alemanha.

Judas Iscariotes, o traidor

O próprio Evangelho registra seu fim: arrependido da traição, devolveu as trinta moedas de prata e tirou a própria vida (cf. Mateus 27,3-5). Não foi mártir, mas está presente em qualquer reflexão honesta sobre os Doze, como sombra que torna mais luminoso o testemunho dos outros.

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