É São João e as festas juninas, bem como suas comidas típicas da cultura popular, estão por todos os lados do Brasil. E de onde vem a tradição de festejar a colheita em junho? A resposta passa pela Europa, pelos povos indígenas e africanos que formaram o País e tem a ver com um modo de celebrar que tem raízes muito mais antigas do que a colonização portuguesa e chegam até às festas do povo de Israel, na Palestina do século I, no tempo de Jesus. Entenda!
Na tradição judaica da época de Jesus, as festas religiosas mais importantes eram também festas agrícolas. Deus havia instituído no Sinai um calendário de celebrações que marcavam o ritmo da terra, a semeadura, o crescimento, a colheita, e as vinculavam à memória da ação divina na história do povo. A terra que produzia era sinal da fidelidade de Deus. Três festas exigiam peregrinação a Jerusalém e reuniam multidões de toda a região: a Páscoa, o Pentecostes e a Festa dos Tabernáculos, cada uma com sua própria comida, ritual e sentido.
A Páscoa, celebrada na primavera, no décimo quarto dia do mês de Nisã, era a festa da libertação. A refeição pascal incluía o cordeiro assado, pão sem fermento (os pães ázimos) e ervas amargas, conforme prescrevia o Êxodo (cf. Êxodo 12). Era uma refeição de memória, pois cada alimento evocava algo da escravidão no Egito e da saída para a liberdade. Jesus a celebrou com os discípulos na Última Ceia, quando a Páscoa judaica ganhou, para os cristãos, um sentido novo e definitivo.
O Pentecostes, ou Festa das Semanas, celebrada cinquenta dias após a Páscoa, era originalmente uma festa da colheita do trigo. Os israelitas apresentavam a Deus as primícias do pão feito com o trigo recém-colhido, em ação de graças pela provisão divina. Segundo o livro de Levítico, dois pães de trigo fermentado eram oferecidos como primícias da nova colheita (cf. Levítico 23,17). Era uma mesa de abundância e gratidão e foi no Pentecostes, em Jerusalém, que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos de Jesus (cf. Atos dos Apóstolos 2,1-4).
A Festa dos Tabernáculos, celebrada no outono, recordava o deserto após a saída do Egito. Durante sete dias, as famílias construíam tendas ou cabanas de ramos e folhas e viviam nelas, em memória da travessia, com caráter de fartura e alegria, pois era o encerramento da colheita de frutas e azeite, e se celebrava com abundância à mesa, cantos e procissões com galhos de árvores frutíferas. Era a maior expressão de gratidão pela terra que Deus havia dado ao Seu povo.
A festa junina chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses, que já celebravam os santos de junho, Santo Antônio, São João e São Pedro, com festas ligadas ao calendário agrícola europeu. Em Portugal, o trigo era o ingrediente central e era junho o mês da colheita desse cereal. A comemoração reunia famílias em torno da mesa, com pães, bolos e bebidas feitos do grão recém-colhido.
No Brasil, o trigo não era cultivado em quantidade suficiente, mas havia milho e era junho o mês da colheita do milho. O povo passou a celebrar com o que a terra oferecia e as comemorações juninas já celebradas em Portugal eram ricas em preparações que utilizavam o trigo e o milho, produtos provenientes da agricultura local e abundantes entre os meses de junho a agosto.
Alguns alimentos que aparecem nas festas juninas têm paralelos diretos com a alimentação que Jesus e Seus contemporâneos conheciam:
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