Foto: reprodução @parintinscatedral
Antes de qualquer disputa entre o azul e o vermelho, algo une os dois lados: a visita da imagem de Nossa Senhora do Carmo aos barracões dos bois Garantido e Caprichoso. A padroeira da cidade passa pelos dois galpões, abençoa artistas e trabalhadores em uma cena de fé e proteção.
O Festival Folclórico de Parintins acontece neste ano nos dias 26, 27 e 28 de junho, no Bumbódromo, na Ilha Tupinambarana, no Amazonas. A expectativa é que mais de 100 mil turistas desembarquem na cidade para acompanhar a disputa entre os bois-bumbás.

Foto: reprodução @parintinscatedral
Muito antes de se tornar um dos maiores espetáculos folclóricos do Brasil, o Festival de Parintins teve origem em um gesto de fé. Era 1965 quando jovens católicos e padres da cidade, entre eles Xisto Pereira, Jansen Rodrigues Godinho, Lucinor Barros, Raimundo Muniz, à época presidente da Juventude Alegre Católica, e o Padre Augusto, organizaram um evento para arrecadar fundos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Ilha Tupinambarana.
A proposta era realizar quadrilhas, danças típicas e apresentações culturais no mês de junho, unindo a comunidade em torno de um objetivo comum: de erguer a principal igreja da cidade, dedicada a Nossa Senhora do Carmo, cuja devoção acompanha o povo parintinense desde o século XIX. Só em 1966 os bois Garantido e Caprichoso foram convidados a integrar a programação e a rivalidade folclórica transformaria a festa em espetáculo mundial teve início.
Padre Benedito Teixeira, pároco da Catedral de Parintins, confirmou ao IDe+ essa origem:
“O primeiro festival foi uma quermesse para angariar fundos para construir a catedral. Os bois já existiam, brincavam nas ruas, mas foi a Igreja que organizou o primeiro evento oficial. Os dois bois são de promessa, nascidos de situações difíceis. A fé sempre esteve na origem de tudo isso”.

Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins (AM), em procissão./Foto: reprodução @parintinscatedral
A tradição de levar a imagem peregrina aos barracões dos dois bois começou no ano 2000, a partir de um trabalho pastoral iniciado na década de 90. “Havia uma separação entre fé e cultura. Muita gente estava em crise, influenciada por discursos que acusavam nosso povo de idolatria”, conta o Padre Benedito ao IDe+. “Dom Giuliano Frigeni e eu começamos a fazer um trabalho de resgatar a festa da padroeira a partir de uma relação com a cultura”.
Nossa Senhora do Carmo percorre os dois barracões antes das apresentações. Para o Padre, o gesto tem um significado afetivo e espiritual.
“É como se a Mãe chegasse de surpresa à casa dos filhos. Eles sentem que Maria está preocupada com o trabalho, com a saúde e com o esforço que cada artista dedica ali”, contou.
Nossa Senhora do Carmo também é a Madrinha da Associação Evangelizar é Preciso. Antes das apresentações no Bumbódromo, os dois bois visitam a Catedral de Nossa Senhora do Carmo para uma Missa especial, com artistas, torcedores e comunidades inteiras reunidos para agradecer e pedir bênçãos. Durante o festival, Ela é homenageada nas alegorias e esculturas dentro da arena.
“Nossa Senhora é homenageada dentro da arena, nas alegorias, nas esculturas. Ela está presente nas celebrações, nas bênçãos, nos eventos e é uma presença constante. Os artistas participam da procissão, ajudam a construir o andor, estão na romaria das águas. É um povo de fé, e isso nos alegra profundamente”, comenta o Pároco.
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