Cinema e fé: cinco filmes católicos entre os mais elogiados da história, segundo o Rotten Tomatoes

Cinema e fé: cinco filmes católicos entre os mais elogiados da história, segundo o Rotten Tomatoes

Daqui a poucos dias, em 27 de outubro, o mundo celebra o Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual, data instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para lembrar que filmes e registros sonoros fazem parte da memória coletiva da humanidade e precisam ser preservados. É uma boa oportunidade para revisitar obras que ficaram pela beleza da imagem, pela profundidade do roteiro ou pela forma como tocaram em perguntas que não têm resposta fácil.

Para avaliar quais filmes resistiram ao tempo com o reconhecimento da crítica especializada, o Rotten Tomatoes é uma das referências mais consultadas no mundo. O site agrega avaliações de críticos de cinema e apresenta uma porcentagem de aprovação para cada obra: quanto mais alto o número, maior o consenso entre os especialistas de que o filme vale ser assistido. Entre as obras com temática diretamente católica, selecionamos cinco que se destacam pela nota alta e pela qualidade que explica por que continuam sendo discutidas anos depois do lançamento. É importante destacar que a lista traz filmes com temáticas católicas, mas não necessariamente feitos por instituições religiosas.

Ida (2013)

Dirigido pelo polonês Paweł Pawlikowski e filmado em preto e branco, Ida tem 95% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. A história começa com uma jovem noviça prestes a fazer seus votos que descobre, antes da cerimônia, que tem uma tia viva e que é judia, filha de pais mortos durante a ocupação nazista da Polônia. O filme acompanha as duas mulheres em uma viagem para descobrir o que aconteceu com a família, e a jornada externa é também uma jornada sobre identidade, vocação e o que significa escolher uma vida consagrada depois de conhecer o que ela exige abrir mão. Ida ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015 e é apontado, inclusive por sites católicos, como uma obra prima que aborda valores do cristianismo e dialoga com dores, medos e tentações.

Dos Homens e Deuses (2010)

Com 93% de aprovação da crítica, o filme francês dirigido por Xavier Beauvois reconstrói os últimos meses de vida de oito monges cistercianos do mosteiro de Tibhirine, na Argélia, assassinados em 1996 em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas. O filme não é sobre martírio espetacular, mas sobre a deliberação silenciosa de homens que podiam partir e escolheram ficar. A cena em que os monges escutam o Lago dos Cisnes de Tchaikovsky à mesa, com rostos que dizem tudo sem uma palavra, está entre as mais memoráveis do cinema religioso das últimas décadas. Dos Homens e Deuses ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2010.

O Homem Que Não Vendeu Sua Alma (1966)

Fred Zinnemann dirigiu este retrato de São Tomás Moro com Paul Scofield no papel principal, e o resultado tem 89% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. O filme reconstrói o julgamento e a condenação de Tomás Moro, que se recusou a assinar a declaração que reconhecia Henrique VIII como chefe supremo da Igreja na Inglaterra. Em O Homem Que Não Vendeu Sua Alma, a câmera não busca o espetáculo nem o martírio fácil, mas um homem que mantém sua posição com calma, sem discursos longos e sem heroísmo performático. O filme levou seis Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator.

O Evangelho Segundo São Mateus (1964)

O italiano Pier Paolo Pasolini era marxista e ateu, e ainda assim realizou aquele que muitos consideram o melhor filme já feito sobre a vida de Jesus. Com 89% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, a obra foi filmada no sul da Itália com atores não profissionais, sem diálogos inventados, usando apenas o texto do Evangelho de Mateus como roteiro. Pasolini filmou Jesus como um revolucionário, urgente e exigente. O filme foi premiado com o Grande Prêmio do Escritório Católico Internacional do Cinema. A Unesco declarou a obra patrimônio cultural da humanidade.

Silêncio (2016)

Martin Scorsese levou 28 anos para realizar este filme sobre dois padres jesuítas portugueses que viajam ao Japão do século 17 para encontrar seu mestre e pregar o Evangelho em um país onde o cristianismo era proibido e punido com morte. Com 83% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, Silêncio é o filme mais difícil desta lista e, para muitos, o mais honesto sobre o que a fé custa. O longa é baseado no romance homônimo do escritor católico japonês Shusaku Endo e não tem as chamadas respostas confortáveis para as perguntas que levanta. Scorsese, que cresceu querendo ser padre, declarou que o filme foi o mais pessoal de toda a sua carreira.

O que esses cinco filmes têm em comum?

Todos tratam a fé como algo que custa, que exige escolha, que não dispensa a dificuldade. Nenhum deles resolve a tensão entre o sagrado e o mundo com um final arrumado. 

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