Qual santo invocar antes do treino? Os intercessores dos esportistas

Qual santo invocar antes do treino? Os intercessores dos esportistas

Antes de uma prova, de uma competição ou de um treino pesado, uma dica é pedir a inspiração e a proteção dos santos. Afinal, oração e conexão com a fé sempre são bem-vindas e recomendadas e o reconhecimento de que o corpo foi criado por Deus e que toda capacidade humana vem d’Ele é essencial. A prática esportiva é um caminho de formação humana e virtude. São João Paulo II era esquiador, montanhista e nadador antes de ser Papa e disse às delegações olímpicas que recebeu em audiência que “o esporte, praticado com retidão, torna-se uma escola de virtudes humanas.”

A Tradição tem santos aos quais os atletas recorrem, seja por patronato formal proclamado pela Igreja, seja por devoção popular consolidada. Os três a seguir são os mais relevantes para quem vive o esporte com fé.

São Sebastião, o padroeiro oficial dos atletas

Soldado romano do século III, São Sebastião foi um dos primeiros mártires cristãos sob o imperador Diocleciano. Descoberto como cristão, foi amarrado a um poste e crivado de flechas por arqueiros mauritanos. Sobreviveu e foi encontrado ainda vivo pela viúva Irene, que o curou. Recuperado, voltou a enfrentar Diocleciano e, desta vez, foi espancado até a morte.

A associação com os atletas não vem de uma prática esportiva documentada de Sebastião, mas da sua resistência física extraordinária e da imagem que o iconografou na história da arte: um corpo jovem e forte, com flechas no corpo, que não cedeu. Segundo o Padre Sebastian Butler, foi entregue a “certos arqueiros da Mauritânia para ser morto a tiros” e sobreviveu. Para quem treina com dor, compete com o corpo no limite e resiste onde outros desistem, ele é o intercessor natural.

No Brasil, é padroeiro do Rio de Janeiro e de inúmeras associações esportivas. Sua festa é celebrada em 20 de janeiro.

São Pier Giorgio Frassati, o intercessor dos esportistas de montanha e da geração jovem

Pier Giorgio Frassati nasceu em Turim, em 1901, filho de uma família rica e influente. Recusou o conforto que lhe ofereciam e gastou a própria mesada com os pobres que visitava nos bairros operários da cidade. Ao mesmo tempo, era um atleta apaixonado: escalava montanhas nos Alpes, esquiava, andava a cavalo, nadava. A combinação entre vida esportiva intensa e caridade radical foi o que o tornou uma referência para jovens atletas católicos em todo o mundo.

Morreu de poliomielite aos 24 anos, em 1925, contraída provavelmente no contato com os doentes que visitava. Beatificado por João Paulo II em 1990, tem sua memória celebrada em 4 de julho. O Papa polonês, ele mesmo montanhista antes de ser sacerdote, o descreveu como “o homem das bem-aventuranças.” Foi canonizado em 2025, durante o Jubileu da Igreja Católica, ao lado do Beato Carlo Acutis. A Jornada Mundial da Juventude frequentemente o invoca como modelo para os jovens que querem aliar esporte e fé. 

É o intercessor mais citado para esportes de aventura, montanhismo, esqui e para jovens atletas em geral.

São João Bosco, o padroeiro dos jovens e dos que usam o esporte para educar

Dom Bosco não era atleta. Era Padre. Mas entendeu antes de muita gente que o esporte é uma ferramenta de formação humana, especialmente para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Em Turim, no século XIX, criou o Oratório de São Francisco de Sales, onde meninos de rua encontravam não apenas catequese, mas recreação, brincadeiras e jogos organizados. Dom Bosco usava o pátio como método pedagógico, convicto de que um jovem que brinca bem aprende a viver bem.

É padroeiro dos jovens, dos educadores e, por extensão, de todos que usam o esporte como caminho de formação humana e evangelização. Canonizado por Pio XI em 1934, tem sua festa em 31 de janeiro. A Associação Salesiana, presente em mais de cem países, continua hoje fazendo do esporte um instrumento pastoral, em fidelidade ao que Dom Bosco ensinou.

Sobre os patronatos esportivos

A Igreja não proclamou santos padroeiros para a maioria dos esportes de forma oficial. O que existe, além do patronato formal de São Sebastião sobre os atletas em geral, são devoções populares consolidadas,  como a associação de São Luís Scrosoppi com o futebol, que “deve ser compreendida como uma expressão de piedade popular e não como um patronato litúrgico oficialmente proclamado pela Igreja”.

O esporte, “praticado com retidão”, como disse João Paulo II, forma caráter, desenvolve virtudes e pode ser um caminho de santidade. O atleta católico que reza antes de entrar em campo ou em pista reconhece onde vem a força que usa.

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